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Salton destaca o espumante como principal vetor de crescimento e aponta desafios do setor vitivinícola brasileiro

A Vinícola Salton mantém o espumante como sua principal vocação e principal motor de resultados positivos, conforme afirmou o diretor-presidente Maurício Salton em entrevista exclusiva ao CNN Money. Segundo ele, aproximadamente 40% das garrafas de espumante consumidas no Brasil são produzidas pela marca, que busca ampliar sua presença no mercado doméstico ao explorar atributos como versatilidade de consumo e tropicalidade, características que, na avaliação do executivo, combinam perfeitamente com o clima, a culinária e o estilo de vida brasileiros.

Salton reforçou que a marca está consolidando a posição do Brasil como protagonista global na categoria de espumantes, destacando o potencial de crescimento da indústria nacional. Para ele, o primeiro semestre do ano foi considerado consistente, com crescimento na receita, embora a rentabilidade operacional tenha ficado ligeiramente abaixo do esperado. Apesar disso, o executivo afirmou que esse cenário não compromete a trajetória de crescimento da vinícola, mas exige atenção a certos desafios, especialmente no segmento de vinhos finos, onde a concorrência é agravada por produtos subsidiados na origem, além de um volume expressivo de contrabando e falsificações.

Maurício Salton destacou que a geração de caixa tende a se consolidar no segundo semestre, período em que a maior parte do faturamento é realizada, e que a empresa continua ajustando suas estratégias de acordo com o ciclo operacional de longo prazo. Entre os principais obstáculos enfrentados pela indústria, ele apontou o contrabando, o desvio de cargas e a importação de produtos beneficiados de forma ilegal, fatores que prejudicam a competitividade do setor.

Apesar de reconhecer o avanço do vinho fino brasileiro ao longo das últimas duas décadas, Salton afirmou que a competitividade do produto nacional ainda sofre um desequilíbrio, não por questões de qualidade, mas devido às assimetrias nas regras do jogo. Ele explicou que países concorrentes operam sob custos financeiros muito inferiores e legislações que permitem práticas enológicas proibidas no Brasil, como a correção com água. Além disso, esses países subsidiam a matéria-prima e investem cerca de um bilhão de euros anuais na competitividade de suas indústrias vitivinícolas, além de não aplicarem tributação seletiva sobre vinho e espumante na origem, reconhecendo as externalidades positivas dessas bebidas para a matriz bioquímica.

Salton também abordou o impacto do crime organizado no setor, classificando-o como um problema de grande magnitude, que afeta tanto a arrecadação quanto a saúde pública. Segundo ele, milhões de garrafas ilegais entram no Brasil sem controle sanitário, muitas delas falsificadas, o que representa uma ameaça à segurança do consumidor. Ele relacionou esse cenário à alta carga tributária incidente sobre os produtos legais, que torna o vinho e o espumante mais caros e inacessíveis, favorecendo a expansão do mercado ilegal. Para o executivo, a reforma tributária representa uma oportunidade de o país repensar esse sistema, passando a tratar a questão também sob os aspectos de saúde e segurança pública, além do impacto econômico.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade