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Apple desenvolve modelo de inteligência artificial próprio para o mercado chinês

•21 de julho de 2015REUTERS/Mike Segar

A Apple está avançando na implementação de uma tecnologia de inteligência artificial (IA) adaptada às especificidades do China, desenvolvendo um modelo de linguagem próprio para o mercado local. Segundo fontes próximas ao projeto, o novo modelo foi treinado em parceria com o Alibaba Group e contou com o suporte técnico da gigante chinesa de tecnologia, o que marca uma mudança significativa na estratégia da fabricante do iPhone na região. Até então, a Apple vinha utilizando modelos de terceiros, como o Claude, da Anthropic, e o ChatGPT, da OpenAI, para oferecer recursos de IA generativa em seus dispositivos no país. Essas soluções, no entanto, não estavam disponíveis na China, onde a companhia buscava alternativas locais devido às restrições regulatórias e às particularidades do mercado.

A iniciativa de desenvolver um modelo de IA próprio para a China foi mantida em sigilo até o momento, e a Apple ainda não anunciou oficialmente esse projeto. A expectativa é de que o conjunto de ferramentas chamado Apple Intelligence seja lançado nos próximos meses, após uma atualização do sistema operacional iOS, conforme informações de fontes familiarizadas com o assunto. A introdução de um modelo de IA especialmente adaptado para o mercado chinês proporcionaria à Apple maior controle sobre a experiência de seus usuários na região, que representa uma fatia expressiva de sua receita global. Essa estratégia também visa fortalecer a competitividade da empresa frente a rivais locais, como a Huawei, que vêm avançando rapidamente na incorporação de recursos de inteligência artificial em seus dispositivos.

A decisão da Apple de investir em um modelo de IA próprio reflete uma estratégia de dupla abordagem para a presença de empresas estrangeiras na China, buscando contornar obstáculos regulatórios que dificultam o acesso de companhias de tecnologia dos Estados Unidos ao mercado chinês. Com essa iniciativa, a Apple se tornaria a primeira empresa estrangeira autorizada por Pequim a oferecer um modelo de IA proprietário no país, sinalizando uma colaboração rara entre empresas americanas e chinesas em um contexto de crescente ruptura comercial e diplomática entre os dois países na área de tecnologia e inteligência artificial.

O processo regulatório que culminou na validação do projeto foi encerrado no mês passado, quando a Administração do Ciberespaço da China, órgão responsável pela supervisão da internet no país, registrou oficialmente o serviço de IA generativa da Apple. Essa autorização abriu caminho para que o Apple Intelligence seja integrado aos dispositivos vendidos na China, incluindo iPhones, iPads, Macs e o novo Vision Pro. Segundo as informações, o modelo Qwen, desenvolvido pelo Alibaba, será incorporado à versão do Apple Intelligence pré-instalada nesses produtos, além de contar com tecnologia da Baidu, conforme revelou a Reuters em julho.

Recentemente, a Apple publicou um guia em chinês explicando como usuários qualificados de Mac na China continental poderiam conectar o Qwen ao assistente digital Siri e ao recurso “Ferramentas de Escrita”. Essa iniciativa, voltada especificamente para os computadores da linha Mac, visa fortalecer a competitividade da Apple no mercado chinês de dispositivos com recursos de IA. No entanto, a empresa posteriormente removeu o guia sem fornecer justificativas públicas para essa decisão.

A parceria entre Apple e Alibaba foi confirmada oficialmente em fevereiro de 2025, quando o presidente do Alibaba, Joe Tsai, declarou durante a Cúpula Mundial de Governos, realizada em Dubai, que a Apple utilizaria a tecnologia de IA da empresa chinesa em seus smartphones na China. Na ocasião, Tsai afirmou que a Apple teria optado por trabalhar com o Alibaba após negociações com várias empresas locais, decisão que resultou no adiamento do lançamento enquanto a companhia ajustava seus recursos às regulamentações chinesas.

A presença da China é crucial para o sucesso global da Apple, representando uma parcela significativa de sua receita. A ausência de recursos de IA nos dispositivos vendidos no país vinha sendo apontada como um fator que prejudicava as vendas, já que consumidores locais passaram a preferir marcas nacionais que oferecem assistentes de IA integrados aos seus produtos. Ainda não está claro como o modelo treinado pela própria Apple irá interagir com os modelos chineses de terceiros ou qual será a sua integração operacional nos dispositivos.

A implementação dessa tecnologia marca um passo importante na estratégia da Apple de adaptar suas soluções às condições regulatórias e de mercado na China, ao mesmo tempo em que fortalece sua presença no setor de inteligência artificial na região.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade