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Pesquisa identifica proteína como potencial alvo terapêutico no combate ao câncer

KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images

Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que a proteína sindecam-4 (SDC4), presente na superfície celular, pode desempenhar um papel crucial no tratamento do câncer, além de ser um possível marcador para o diagnóstico da doença. Os pesquisadores conduziram experimentos em laboratório que demonstraram que a SDC4 atua como um mecanismo de controle biológico, capaz de inibir a proliferação de células tumorais e neutralizá-las durante a metástase.

A pesquisa, publicada na revista científica Cytotechnology, sugere que o silenciamento da proteína SDC4 pode impedir o avanço tumoral. A professora Carla Cristina Lopes, autora do estudo e pesquisadora do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp, destacou que essa descoberta representa uma nova abordagem terapêutica promissora. “A estratégia de silenciar essa molécula tem potencial para impedir a proliferação de células cancerosas, mas ainda estamos nas fases iniciais da pesquisa e será necessário validar os resultados em cada caso específico da doença”, afirmou à Agência FAPESP.

No funcionamento normal do organismo, as células dependem de conexões entre si e de uma matriz extracelular para a sobrevivência. Quando uma célula saudável se desliga dessa rede, ela ativa um processo de autodestruição conhecido como anoikis, que em grego significa “morte por falta de casa”. Esse processo é essencial para evitar que células danificadas se proliferem. Entretanto, as células tumorais agressivas apresentam um comportamento distinto: elas alteram suas características de proteção, tornando-se resistentes à anoikis, o que lhes permite sobreviver isoladamente e migrar por meio da corrente sanguínea para outros órgãos, dando origem à metástase.

Os pesquisadores descobriram que a superexpressão da proteína SDC4 é um fator que contribui para a proteção das células tumorais, evitando que elas sucumbam à morte celular induzida pela falta de conexão com o tecido. “A sindecam-4 protege as células tumorais desse tipo específico de morte celular que ocorre quando a célula se desprende do tecido”, afirmam os cientistas envolvidos no estudo.

Para alcançar esses resultados, a equipe analisou células endoteliais de coelhos, forçando-as a permanecer em um meio de cultura sem se ligarem a qualquer superfície. A observação revelou que menos de 5% dessas células conseguiram sobreviver ao processo de anoikis, tornando-se altamente agressivas e iniciando uma superprodução de SDC4. Na fase seguinte, os cientistas aplicaram técnicas de engenharia genética para silenciar a SDC4 nas células sobreviventes, o que resultou em um comportamento mais próximo do normal, dependente de uma superfície para a sobrevivência.

Além disso, a análise indicou que o bloqueio da SDC4 promove um aumento na produção da molécula p27, um inibidor natural da divisão celular que regula as proteínas CDKs, responsáveis pelo controle do ciclo celular. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que testes adicionais são necessários em células humanas para validar as descobertas.

Atualmente, a equipe da Unifesp também está investigando o potencial do canabidiol (CBD), um composto não psicoativo derivado da Cannabis sativa, para verificar se ele pode modular a SDC4 e reverter a resistência das células tumorais à anoikis. Essa linha de pesquisa pode abrir novas possibilidades para o tratamento do câncer, contribuindo para o desenvolvimento de terapias mais eficazes e direcionadas.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade