Andressa Urach, aos 38 anos, avança em sua carreira musical sob o nome de MC Imola com o lançamento do EP intitulado “Madame Satã”. O projeto, que é totalmente autoral, é composto por três faixas: “Expulsa do Céu”, “Cigana de Fé” e “Bruxa”. Com essa nova proposta, a influenciadora e artista busca explorar temas como fé, culpa, religião, liberdade e identidade, distantes de sua imagem anterior mais explícita e provocativa no funk.
A artista revela que este novo trabalho é uma forma de reconciliar-se com a imagem de santidade que tentou manter ao longo de sua trajetória. Urach destaca que o EP reflete sua própria história, que inclui uma conversão religiosa, uma ruptura com a igreja e a decisão de viver abertamente em meio a julgamentos. “Durante muito tempo eu tentei caber em um lugar que não era meu. Tentei ser aceita, tentei viver para agradar pessoas que continuavam me julgando e, mesmo assim, me senti usada e explorada. Eu perdi mais dinheiro tentando ser santa do que assumindo quem eu sou”, declara Andressa.
As três músicas do EP ilustram essa nova fase de sua carreira. Em “Expulsa do Céu”, ela utiliza simbolismos religiosos para abordar temas como culpa, desobediência e a busca pela liberdade. “Cigana de Fé” conecta a música à espiritualidade, enfatizando a força feminina. Por outro lado, em “Bruxa”, Andressa assume uma persona mais autêntica e destemida, sem receios de se afirmar. “Eu quis fazer um projeto pop, mas sem deixar de provocar. Essas músicas falam de mim, da minha fé, das minhas quedas, dos meus julgamentos e de tudo o que tentaram transformar em vergonha. Se me chamam de pecadora, de bruxa, de expulsa, eu pego essas palavras e faço delas a minha força”, comenta.
Para Andressa, “Madame Satã” representa uma mudança significativa na trajetória da MC Imola. Se anteriormente sua provocação estava atrelada ao funk e a letras mais explícitas, agora ela busca utilizar o pop para expor contradições mais profundas de sua história pessoal. “A Imola nasceu da liberdade, mas agora ela também canta sobre culpa, fé, raiva, dor e identidade. Eu não quero mais voltar para uma versão minha que vivia com medo do julgamento dos outros. Prefiro ser chamada de exagerada, errada ou polêmica do que voltar a me anular para caber em uma imagem que nunca foi minha”, conclui.
Com esse novo EP, Andressa Urach se posiciona de maneira autêntica e corajosa, buscando não apenas expressar sua arte, mas também se libertar de estigmas e preconceitos que a acompanharam ao longo de sua vida. O trabalho promete ressoar com muitos que se identificam com suas experiências e reflexões.