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Villar: Mercado imobiliário exige visão de longo prazo e análise do crédito

•Diego Villar, CEO da Moura Dubeux

O mercado imobiliário demanda uma perspectiva de longo prazo por parte de seus agentes. Segundo análise do CEO da Moura Dubeux, Diego Villar, durante entrevista ao programa “É Negócio”, trata-se de um exercício constante de projeção e tentativa de acerto diante de múltiplas variáveis econômicas.
O mercado imobiliário é altamente dependente do crédito, que pode ser analisado sob dois aspectos principais: o volume, ou seja, a capacidade do mercado de gerar oferta de crédito, e a taxa de juros. Ambos os fatores influenciam diretamente a dinâmica do setor e precisam ser monitorados com atenção.
Além do crédito, a confiança na economia e no emprego desempenha papel fundamental. A decisão de adquirir um imóvel representa o maior endividamento que uma pessoa assume ao longo da vida, o que exige que o comprador tenha expectativa real de capacidade de pagamento.
Outro ponto destacado é a necessidade de antecipar os efeitos da inflação, que contribui para a manutenção de juros elevados. Esse cenário impõe ao setor a responsabilidade de planejar a produção com cautela e responsabilidade.
De acordo com Villar, o mercado imobiliário funciona como “um exercício pleno de olhar para os próximos 4 ou 5 anos”, buscando prever variáveis que, em um país como o Brasil, tendem a se comportar de forma extrema em determinados momentos. A volatilidade do cenário macroeconômico torna esse planejamento ao mesmo tempo essencial e desafiador.
O mercado imobiliário brasileiro atravessa um momento em que a demanda se concentra nos dois extremos do espectro: o segmento de luxo e alto padrão, de um lado, e o segmento econômico, de outro. Segundo Villar, essa configuração é reflexo tanto do déficit habitacional quanto dos incentivos governamentais em vigor.
O programa É Negócio é uma parceira do NeoFeed com a CNN Brasil. Carlos Sambrana entrevista os executivos e líderes das maiores companhias do Brasil. Acompanhe os episódios inéditos, todos os domingos, às 20h45 na CNN Brasil, com reprise às quartas-feiras, às 19h15 no CNN Money.
O programa Minha Casa Minha Vida tem sido apontado como um dos principais fatores que sustentam a demanda no segmento econômico. “O segmento de luxo é alto padrão e o segmento econômico, por conta não só do déficit (habitacional), mas também do incentivo que o governo vem dando com o programa Minha Casa Minha Vida”, afirmou. Atualmente, quase 90% da composição de investimentos e comercializações está concentrada nessas duas pontas.
Um dos principais entraves para o crescimento do segmento intermediário é o nível elevado das taxas de juros, que dificulta o acesso da classe média ao crédito imobiliário. “Se o país entra numa trajetória de redução de taxa de juros e isso consegue enquadrar mais a classe média na aprovação do crédito imobiliário, a gente consegue ter uma classe média mais demandante”, destacou Villar. Após anos de juros altos, a demanda reprimida nesse segmento é considerada bastante elevada.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade