O preço da picanha já subiu 9,23% em 2026, e a alta dos preços dos alimentos começou a virar dor de cabeça para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a poucos meses da eleição presidencial. Nesta sexta-feira, 12, o IBGE divulgou o IPCA de maio com uma série de más notícias para o governo e para o Banco Central, que na semana que vem se reúne para decidir sobre a taxa básica de juros (Selic).
Em conversa com o Estadão/Broadcast, o gerente de pesquisas do IBGE, Fernando Gonçalves, explicou que a guerra encarece o preço dos combustíveis, com impactos sobre o custo do frete e dos fertilizantes. Esse é o pano de fundo sobre a alta dos alimentos e que mostra que a tentativa de segurar o preço dos combustíveis não teve todo o efeito que a equipe econômica esperava.
Os combustíveis, vale ressaltar, tiveram deflação de 1,95% em maio, com quedas de 1,46% na gasolina, de 2,34% no diesel e de 6,2% no etanol. Nesse mês, a cotação do petróleo despencou no mercado internacional com a expectativa de fim do conflito, o que ainda não aconteceu.
A guerra é o principal motivador para a piora do cenário de inflação, mas não explica tudo. A inflação de serviços continua rodando na casa de 6% na taxa em 12 meses, e é resultado do mercado de trabalho com baixa oferta de mão de obra e de todos os estímulos feitos ao consumo pelo governo Lula.
O projeto que reduz a jornada de trabalho, mas mantém os salários, embora defensável do ponto de vista do trabalhador, pode pressionar ainda mais o custo da mão de obra e os serviços.
O resultado de tudo isso é que vem diminuindo a margem para o Banco Central continuar com o ciclo de cortes dos juros. A Selic permanece extremamente elevada, em 14,5%, e, por isso, o mercado ainda acredita em redução de 0,25 ponto na reunião da semana que vem, mas não será surpresa se houver sinalização de pausa.
Ao governo Lula restará torcer pelo fim do conflito tresloucado de Trump. Se tentar interferir nos preços, acabará provocando apenas distorções.
Picanha sobe quase 10% no ano e inflação de alimentos vira dor de cabeça para Lula em ano eleitoral
Foto:Alex Silva/Estadão