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Ponte de 20 metros que sumiu em MG ‘custou’ prêmio da Lotofácil

O prêmio principal do concurso 3707 da Lotofácil, sorteado na noite dessa quarta-feira (10), pagou R$ 722 mil para apostas feitas em Brasília-DF (bolão) e Cornélio Procópio-PR. O valor é praticamente o mesmo que a empresa Ibiti Projeto pagou pela ponte do século XIX, com 20 metros de extensão, retirada da zona rural de Prados, cidade do Campo das Vertentes de Minas. A comparação dimensiona o tamanho do ‘negócio’ envolvendo a estrutura, que foi trazida da Inglaterra para o Brasil em 1850.
A estrutura foi localizada em uma fazenda no distrito de Mogol, zona rural do município de Lima Duarte, na Zona da Mata mineira, distante 120 km de Prados.
A Polícia Civil investiga o caso, que ganhou repercussão nacional e é digno de uma produção cinematográfica. Foram usados uma carreta, um caminhão munck e uma escavadeira para remover a estrutura.
A Ibiti Projeto alegou, por meio de nota, que a ponte “foi adquirida de forma regular junto a comerciante do ramo de antiguidades, mediante emissão de nota fiscal e demais documentos pertinentes”. A reportagem da Itatiaia apurou que a Ibiti Projeto pagou cerca de R$ 700 mil pela estrutura. A empresa não informou oficialmente os valores.
A empresa disse ainda que a operação de transporte foi realizada com as devidas autorizações dos órgãos competentes. “Ao tomar conhecimento dos questionamentos relacionados à origem da estrutura, a Ibiti Projeto foi igualmente surpreendida pelos fatos e imediatamente procurou as autoridades competentes, apresentando toda a documentação disponível, indicando a localização do bem e colaborando integralmente com as apurações”, acrescentou.
Cleyton Lima, do setor jurídico da Prefeitura de Prados, disse à Itatiaia nessa quarta-feira (11) que até mesmo a Polícia Federal poderia ser acionada. Isso porque a ponte integra o patrimônio da União e, por isso, o caso pode extrapolar a esfera estadual.
“Ela está patrimoniada no Serviço de Patrimônio da União. Isso gera interesse direto da União no caso e, no nosso entendimento, pode atrair a competência da Polícia Federal para conduzir as investigações”, explicou Cleyton.
“Não é porque um aparato desse se encontra eventualmente em um imóvel particular que o dono do imóvel passa a ser proprietário da ponte. A União detém a propriedade efetiva desse bem”, acrescentou o advogado.
Em nota, a Prefeitura de Prados afirmou que a ponte ficava localizada na região conhecida como “58”, entre a comunidade da Estação de Prados e a Envernada, nas proximidades da BR-265. “A estrutura, pertencente ao antigo trecho da Ferrovia Oeste de Minas e atualmente sem utilização ferroviária, possuía valor histórico para o município e era frequentemente utilizada por ciclistas que percorrem o antigo leito da ferrovia”, informou o Executivo municipal.
De acordo com a prefeitura, assim que a situação foi constatada, representantes da Administração Municipal foram ao local para averiguar os fatos e acompanhar os procedimentos necessários. O Executivo municipal informou que um boletim de ocorrência foi registrado. “A Prefeitura de Prados acompanhará o andamento das investigações e prestará todo o apoio necessário aos órgãos de segurança pública para o esclarecimento dos fatos”, afirmou em nota oficial.
A ponte, inaugurada no século XIX, faz parte de um trecho desativado da malha da Estrada de Ferro Oeste de Minas. De acordo com a Prefeitura de Prados, a ponte ficava localizada na região conhecida como “58”, entre a comunidade da Estação de Prados e a Envernada, nas proximidades da BR-265.
Além de desvendar se foi venda ou furto, a investigação da Polícia Civil vai apontar quem é a pessoa que negociou a ponte com a Ibiti Projeto. Ela tinha autorização? Outros questionamentos feitos por moradores da cidade e internautas são: a ponte será recolocada no local? Quando? Quem vai arcar com o valor da recolocação?
Assista:

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade