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10 pontos da Quaest, que mostra Lula ampliar vantagem sobre Flávio Bolsonaro após caso Master

1 de 9 Pesquisa Quaest de intenção de voto no 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro considerando apenas eleitores que se dizem independentes. — Foto: Arte/g1

A pesquisa Quaest de junho, divulgada nesta quarta-feira (10), mostra que o presidente Lula, pré-candidato à reeleição, abriu seis pontos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma simulação de segundo turno. É o primeiro levantamento da consultoria desde a revelação das conversas entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
No cenário de segundo turno, Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro. Em maio, os dois estavam tecnicamente empatados, com 42% e 41%, respectivamente. Entre os eleitores independentes, que representam cerca de um terço do eleitorado, o presidente passou de 29% para 37%, enquanto o senador recuou de 31% para 24%.
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O levantamento mostra ainda que o episódio envolvendo o pedido de financiamento para o filme “Dark Horse” ajudou a desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro junto ao eleitorado, enquanto medidas econômicas do governo contribuíram para uma recuperação da aprovação de Lula.
A seguir, veja os principais destaques da pesquisa.
Lula abre vantagem no 2º turno
O cenário de empate técnico entre os dois principais candidatos acabou. Se a eleição fosse hoje, Lula seria reeleito com 44% dos votos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro aparece com 38% na simulação de segundo turno. No levantamento anterior, a distância era de apenas um ponto percentual: 42% para Lula a 41% para o senador. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
O peso do Caso Master
A pesquisa indica que a divulgação de áudios entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, uma biografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, impactou negativamente o senador: 65% dos brasileiros consideram que Flávio errou ao pedir recursos ao banqueiro, e 58% acreditam que o episódio sugere algum envolvimento ilegal no caso.
Flávio Bolsonaro com Trump
Ainda de acordo com o levantamento, o humor do eleitorado também foi influenciado pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A maioria dos entrevistados (47%) concorda com a versão de Lula de que Flávio Bolsonaro teria solicitado o tarifaço a Donald Trump. Já 35% dizem estar alinhados à versão do senador do PL, que nega ter feito o pedido. Além disso, 53% veem as consequências dessas medidas como negativas para a economia brasileira.
A disputa de narrativas sobre o PIX
A pesquisa mostra também que a versão defendida por Lula sobre as tarifas americanas encontrou mais respaldo entre os entrevistados. Para 46%, as medidas dos Estados Unidos representam uma retaliação ao PIX. Já 36% concordam com a explicação de Flávio Bolsonaro, que atribui as tarifas a críticas diplomáticas do governo brasileiro. O resultado indica vantagem para a narrativa do Planalto em um tema que envolve um dos serviços financeiros mais populares do país.
Classificação de CV e PCC como terroristas
Embora a pesquisa mostre que 60% dos brasileiros defendem que o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) sejam classificados como organizações terroristas, o eleitorado se divide quando essa classificação parte do governo americano (45%).
Segundo a Quaest, a medida anunciada pelo governo dos EUA junto com o novo tarifaço sobre produtos brasileiros reforçou críticas do presidente Lula sobre interferência externa.
Migração dos eleitores independentes
Entre os eleitores considerados independentes, Lula passou Flávio Bolsonaro e abriu 13 pontos de vantagem no 2º turno. Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o movimento nesse segmento foi o mais expressivo.
“A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula”, afirma.
Esse eleitorado corresponde a um terço do total e pode decidir a disputa. Os independentes são os eleitores que não se consideram nem de direita, nem de esquerda, nem bolsonaristas, nem lulistas.
Entre eles, Lula subiu de 29% para 37% e aparece à frente. Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 24% — em abril, seu melhor momento, chegou a 33%. Outros 30% afirmam que não votariam num 2º turno entre Lula e Flávio.
Terceira via segue embolada
A Quaest mostra também que a corrida presidencial segue polarizada e que a disputa entre os nomes que tentam emplacar uma alternativa de terceira via está embolada.
O fundador do MBL e pré-candidato pelo Missão, Renan Santos, aparece numericamente à frente de Romeu Zema, do Novo, ex-governador de Minas Gerais. Ele tem 3% das intenções de voto e está empatado com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD.
A pesquisa também inclui pela primeira vez o ex-governador Aécio Neves, que tem a pré-candidatura à Presidência defendida pelo PSDB. Ele aparece com 2% das intenções de voto, mesmo percentual de Zema. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, todos estão tecnicamente empatados.
Melhora na aprovação
A avaliação da gestão Lula apresentou recuperação, com 47% de aprovação e 48% de desaprovação. Em abril, a diferença era de nove pontos. Agora, caiu para apenas um. A melhora é atribuída à percepção positiva de medidas econômicas.
Impacto do Desenrola e das medidas econômicas
A melhora na aprovação do governo coincide com o impacto de medidas econômicas anunciadas nos últimos meses.
O programa Desenrola ajudou a reduzir de 28% para 23% o percentual de brasileiros que se dizem muito endividados, enquanto a parcela dos que afirmam não ter dívidas subiu para 30%.
A ampliação da isenção do Imposto de Renda e as medidas para reduzir o preço dos combustíveis — aprovadas por 53% dos entrevistados — também aparecem entre as ações mais bem avaliadas pelos brasileiros.
Lula lidera o 1º turno
No cenário de primeiro turno, Lula mantém a liderança isolada, com 39% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 29%, abaixo dos 33% registrados em maio. Segundo a pesquisa, ele perdeu espaço entre eleitores de direita não bolsonaristas, embora mantenha apoio majoritário entre os bolsonaristas.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade