O talentoso percussionista Paulinho da Costa, figura marcante em inúmeras gravações da cena musical internacional, é o protagonista do documentário “The Groove Under the Groove”, que estreou recentemente na Netflix. Sob a direção de Oscar Alves, o filme traça a história do músico brasileiro por meio de entrevistas, imagens de arquivo e relatos de artistas que colaboraram com ele.
Apesar de uma carreira que se estende por mais de cinquenta anos, Paulinho ainda é relativamente desconhecido pelo grande público. O documentário busca preencher essa lacuna ao apresentar um músico que participou de mais de 6 mil gravações e trabalhou com cerca de 900 artistas. Sua percussão é destaque em álbuns emblemáticos, como “Thriller” de Michael Jackson, além de colaborações com ícones como Madonna, Elton John, Stevie Wonder e Miles Davis.
Nos estúdios, Paulinho desenvolveu um estilo único e cultivou amizades com grandes nomes da música. A ideia de transformar sua trajetória em um filme surgiu antes dos anos 2000. “Sou fã do Paulinho desde 1978, quando adquiri o álbum ‘All’ N All’ do Earth Wind & Fire e vi seu nome nos créditos”, compartilha Oscar, o diretor.
“A partir desse momento, passei a notar sua presença em álbuns magníficos, como ‘Off The Wall’, o primeiro disco solo de Michael Jackson, e comecei a reconhecer seu estilo de percussão antes mesmo de ler seu nome.”
Conforme o diretor, o projeto enfrentou desafios iniciais, especialmente relacionados a direitos autorais. “Em 2009, após o lançamento de ‘Titãs, a Vida Até Parece uma Festa’, parecia natural encarar o desafio de fazer um documentário sobre Paulinho, embora muitos me dessem como impossível a liberação dos direitos de tantos sucessos nos quais ele participou.”
O documentário também apresenta depoimentos de artistas renomados como Quincy Jones, George Benson e Ray Parker Jr., que ajudam a contextualizar a importância de Paulinho nos estúdios responsáveis por sucessos mundiais. A participação desses artistas foi, em muitos casos, facilitada pela relação próxima com o percussionista.
“Como Quincy menciona em uma cena do filme, Paulinho era como um membro da família dele, então bastou uma ligação de Paulinho para que Quincy se juntasse a nós no primeiro dia de filmagens em Los Angeles”, revela.
“The Groove Under the Groove” estreou na Netflix no dia 6 de março.
Natural de Irajá, no Rio de Janeiro, Paulinho começou sua jornada musical na infância, utilizando instrumentos improvisados em casa. “Meu primeiro instrumento improvisado foi o tampo de madeira da mesa da minha casa”, conta ele.
Sua formação musical esteve sempre ligada ao samba e às noites cariocas, até sua mudança para os Estados Unidos, onde se juntou à banda de Sérgio Mendes. A partir de então, começou sua trajetória nos estúdios de Los Angeles. “Meu trabalho internacional se deu porque eu estava nos Estados Unidos, onde as gravações aconteciam. Mas minha música é brasileira. Minha formação é do Brasil. É samba”, afirma.
Apesar do alcance de sua carreira, Paulinho revela que nunca buscou reconhecimento público e que o sucesso global nunca foi seu objetivo. “Nunca procurei o sucesso. Busquei fazer um bom trabalho. Uma boa música. Não me considero famoso até hoje. E gosto assim.”
Para o diretor, o impacto do documentário reside na maneira como o público passa a ouvir músicas que já conhece: “Espero que ninguém mais escute ‘Don’t Stop Til You Get Enough’ do Michael Jackson, ‘All Night Long’ do Lionel Richie, ‘In The Stone’ do Earth Wind & Fire e tantos outros sucessos sem se lembrar imediatamente de Paulinho tocando.”
Além do lançamento do filme, Paulinho se prepara para um novo marco em sua carreira. No dia 13 de maio, ele será o primeiro brasileiro nascido no país a ter seu nome na Calçada da Fama de Hollywood.
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