Na última quarta-feira (18/3), o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou uma redução na taxa básica de juros do Brasil, a Selic, que agora é de 14,75% ao ano, após manter o índice em 15% durante cinco reuniões consecutivas. Essa decisão já era esperada pelo mercado financeiro, dado que o comitê havia indicado a possibilidade de uma flexibilização monetária. No comunicado, o Copom destacou que a diminuição da Selic está alinhada com a estratégia de convergência da inflação em direção à meta estabelecida.
O comitê afirmou: “Embora nosso objetivo primordial seja garantir a estabilidade de preços, essa decisão também visa mitigar as flutuações da atividade econômica e promover o pleno emprego”. Em relação ao cenário interno, o Copom observou que os indicadores econômicos estão mostrando uma trajetória de crescimento moderado, enquanto o mercado de trabalho ainda demonstra sinais de resiliência. “As últimas divulgações mostram um certo alívio na inflação geral e nas medidas subjacentes, embora ambas ainda estejam acima da meta”, acrescenta o comunicado.
Quanto ao contexto internacional, especialmente devido ao conflito no Oriente Médio, o comitê avaliou os possíveis impactos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços das commodities, que afetam a inflação no Brasil de forma direta e indireta. “Atualmente, as projeções de inflação estão mais distantes da meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza em relação a essas projeções aumentou consideravelmente, dada a falta de clareza sobre a duração dos conflitos e seus efeitos nos condicionantes dos modelos de projeção”, informou o texto.
Os diretores do Copom são encarregados de decidir se a taxa Selic será cortada, mantida ou elevada, uma vez que a função do Banco Central (BC) é controlar o aumento dos preços de bens e serviços no país, que continuam a subir, mas em um ritmo mais lento. Na ata mais recente do comitê, já havia indícios de uma possível redução da taxa de juros.
“Após uma análise abrangente de diversos fatores, incluindo a dinâmica recente da inflação e os sinais mais evidentes de transmissão da política monetária, levando em conta suas defasagens, o Comitê considerou apropriado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião”, afirmou o documento.
Consultados semanalmente no relatório Focus, analistas do mercado financeiro projetam que a Selic deve encerrar o ano em 12,25% ao ano, indicando que não há expectativa de novos aumentos. As previsões para os próximos anos permanecem semelhantes, conforme destacado a seguir:
– Para 2027, a expectativa é de 10,50% ao ano.
– Para 2028, a previsão continua em 10% ao ano.
– Para 2029, a estimativa é de 9,50% ao ano.
Essas projeções sugerem que o mercado não acredita que a taxa Selic cairá abaixo de dois dígitos até o fim do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2026, nem durante o atual mandato de Gabriel Galípolo à frente do BC, que se encerra em 2028.
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