Nesta quarta-feira (18/3), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado decidiu, por meio de votação, autorizar a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Fundo Arleen. Este fundo adquiriu uma participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, que pertence ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O pedido, feito pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR), busca acesso aos dados financeiros referentes ao período de 9 de fevereiro de 2021 a 29 de janeiro de 2026. Segundo Moro, o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia foi constituído em fevereiro de 2021 e administrado pela Reag Investimentos, sendo seu primeiro investimento a aquisição de 65.850 ações da Tayayá Administração e Participações Ltda. Seis meses antes, os irmãos de Toffoli já haviam adquirido 33% do Resort Tayayá, que está situado em Ribeirão Claro (PR) e estava vinculado à Maridt Participações S.A., empresa da qual o ministro é sócio junto a seus irmãos.
Com essa medida, os parlamentares pretendem contornar a proibição de acessar as contas da Maridt, que teve seu sigilo quebrado pela CPI, mas posteriormente revogado por Gilmar Mendes, ministro do STF, que determinou a inutilização dos dados enviados à comissão.
Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que o fundo Arleen se tornou sócio do empreendimento em 27 de setembro de 2021, ao comprar a participação da Maridt por cerca de R$ 20 milhões. O Arleen é totalmente controlado por outro fundo, o Leal, que está vinculado ao empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
De acordo com informações do Metrópoles, com dados do jornal O GLOBO, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que Zettel movimentou R$ 99,2 milhões entre junho de 2021 e janeiro de 2022, um valor considerado “incompatível com a capacidade financeira” do empresário. Esse montante equivale a uma média de R$ 14,1 milhões em transações mensais, quantia cerca de 200 vezes maior que a renda mensal de R$ 66 mil que Zettel declarou. O relatório do Coaf apontou que, durante sete meses, foram registrados R$ 49,9 milhões em créditos e R$ 49,3 milhões em débitos na conta do empresário.
Essas movimentações coincidem com o período em que Zettel adquiriu a participação de Toffoli no Tayayá. O relatório do Coaf revelou que o empresário transferiu R$ 25,6 milhões em 11 operações para o fundo Leal.
Quando o caso foi revelado, Toffoli confirmou que vendeu suas participações no resort ao fundo Arleen. “A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arleen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025”, declarou.
Após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) que mencionava trocas de mensagens entre Vorcaro e Zettel sobre possíveis pagamentos à empresa do ministro, Toffoli se afastou da relatoria do caso relacionado ao Banco Master na Suprema Corte. Posteriormente, após uma reunião entre os 11 ministros da Corte, um novo sorteio designou André Mendonça como o relator do processo.
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