A jornalista Adriana Araújo revisitou os acontecimentos que marcaram sua saída da Record, em 2021, em meio à crise da Covid-19. Durante uma conversa no podcast “Desculpa Alguma Coisa”, do Canal UOL, a atual apresentadora do “Jornal da Band” descreveu sua demissão como “traumática”. Em seu relato, ela mencionou a pressão para seguir a linha editorial da emissora em relação à pandemia, apesar de suas discordâncias em certos pontos.
“Foi uma experiência extremamente traumática para mim. Eu estava à frente do ‘Jornal da Record’ quando a pandemia começou, e percebi uma série de omissões sérias, na minha visão. Eu era obrigada a cumprir a linha editorial e seguir as diretrizes, mas internamente questionei algumas situações muito graves”, começou ela a explicar.
Adriana admitiu que já previa as complicações que essa situação traria. O ponto culminante ocorreu durante o colapso do sistema de saúde em Manaus (AM), em abril daquele ano, quando novos casos da doença estavam surgindo. A equipe de produção decidiu ignorar a gravidade do ocorrido, e ela teve que apresentar uma matéria sobre a reeducação alimentar de macacos.
“Recordo da cena das retroescavadeiras abrindo valas para enterrar corpos, que estavam nos banheiros dos hospitais ou em caminhões frigoríficos nas portas das unidades de saúde. Naquele dia, mesmo com todas as informações e imagens disponíveis, fui forçada a sentar na bancada e anunciar uma reportagem sobre a reeducação alimentar de macacos, que estavam passando fome porque os turistas não levavam alimentos a um parque em Goiânia”, lamentou a jornalista.
Adriana revelou que, como já se especulava na época, realmente teve uma crise de choro após a exibição do telejornal: “Saí da bancada em lágrimas naquele dia. Fiz o que precisava fazer e, internamente, me manifestei; acredito que disse que considerava aquilo criminoso. Isso me trouxe um sofrimento imenso, pois tinha ordens a seguir”.
“É muito doloroso saber o que estava por vir, e o que realmente aconteceu. Aquela era apenas o início da pandemia, e o número de mortes ainda era baixo. Chegamos a 700 mil óbitos”, concluiu.