Com as eleições se aproximando, prefeitos que se tornaram alvos de investigações judiciais, tanto diretas quanto indiretas, estão utilizando o discurso de “perseguição” como estratégia para fortalecer suas pré-campanhas para os governos estaduais. O Metrópoles identificou pelo menos três cidades onde os chefes do Executivo, que se apresentam como pré-candidatos, adotaram essa tática: Mossoró (RN), Macapá (AP) e Manaus (AM). Essa narrativa é amplificada pela sua forte presença nas redes sociais e pela afirmação de que são perseguidos por se distanciarem da política convencional.
No final de janeiro, a Polícia Federal executou 35 mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga desvio de emendas destinadas à saúde no interior do Rio Grande do Norte, e entre os alvos estava o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). Ele anunciou sua pré-candidatura ao governo do estado cerca de dez dias após ser abordado pela PF. Em uma postagem no Instagram, para seus 360 mil seguidores, Bezerra afirmou estar “em paz” e insinuou que as investigações eram uma perseguição política devido à sua liderança nas pesquisas.
A 4.380 quilômetros de distância, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), seguiu uma linha similar. Ele formalizou sua pré-candidatura ao governo do Amazonas em 23 de fevereiro, logo após a prisão de uma ex-chefe de gabinete em uma operação que visava o “núcleo político” do Comando Vermelho. Durante o lançamento de sua pré-campanha, Almeida mencionou ter sido “ameaçado” por um senador, ex-aliado, que também é pré-candidato ao governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD). Os apoiadores de Almeida agora acusam Aziz de ter influenciado a prisão.
Ao anunciar sua candidatura nas redes sociais, Almeida afirmou que não se deixaria “intimidar pelos poderosos” e que “muitas perseguições” estariam por vir, dirigindo-se a seus 358 mil seguidores.
Recentemente, o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), também anunciou sua pré-candidatura ao governo do Amapá após se envolver em uma polêmica. Ele foi afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em meio a investigações relacionadas a fraudes em licitações, desvio de recursos e lavagem de dinheiro na construção do Hospital Geral Municipal de Macapá. Furlan comentou em suas redes sociais que a decisão judicial não era uma ação contra ele, mas sim contra a vontade da população de Macapá, reafirmando sua intenção de concorrer ao governo do estado. No dia seguinte, ele renunciou ao cargo para disputar contra o atual governador, Clécio Luís (União Brasil).
Em uma carta ao presidente da Câmara Municipal, Furlan justificou sua decisão como um reflexo do desejo popular, que tem sido evidenciado em diversas pesquisas de intenção de voto. Seus aliados organizaram manifestações na capital em apoio ao prefeito, que também foram divulgadas por ele nas redes sociais.