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Supercélulas: compreenda a formação dessas tempestades raras e devastadoras

Paulo Hoeper/Getty Images

Você já conheceu o fenômeno meteorológico das supercélulas? Essas tempestades se distinguem pela existência de uma corrente de ar ascendente, rotativa e persistente, conhecida como mesociclone. Essa rotação confere ao sistema uma organização e durabilidade superiores às de uma tempestade comum, resultando em chuvas torrenciais, granizo, ventos fortes e até tornados.

De acordo com a engenheira ambiental Celina Rodrigues, que realiza pesquisas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) com o apoio do Instituto Serrapilheira, a estrutura interna da tempestade é o que a torna única.

Para que uma supercélula se forme, é necessário que diversas condições atmosféricas coexistam. Dentre essas condições estão a umidade no ar, a instabilidade atmosférica e algum fator que impulsione o ar para cima, como a passagem de uma frente fria ou o aquecimento do solo.

Um elemento crucial nesse processo é o cisalhamento do vento, que ocorre quando correntes de ar se movem em direções ou velocidades distintas em diferentes altitudes da atmosfera.

Celina esclarece que esse fenômeno cria uma rotação inicial no ar. “O cisalhamento gera um ‘tubo’ invisível de ar girando paralelamente ao solo. Quando a corrente de ar ascendente eleva esse tubo, a rotação horizontal se transforma em uma rotação vertical, formando o mesociclone, que é o núcleo da supercélula”, explica.

A intensidade das supercélulas pode variar de acordo com a quantidade de umidade e o nível de aquecimento da atmosfera na região.

Outra característica notável das supercélulas é sua habilidade de acumular grandes volumes de chuva rapidamente. O meteorologista Tércio Ambrizzi revela que essas tempestades funcionam como sistemas altamente eficazes na geração de precipitação.

Além das chuvas intensas, as supercélulas podem gerar granizos de grandes proporções, descargas elétricas, ventos extremamente fortes e inundações.

Essas tempestades são mais frequentes nas vastas planícies da América do Norte, especialmente na região central dos Estados Unidos e no sul do Canadá, áreas conhecidas por sua alta incidência de tornados. Contudo, supercélulas também são observadas em outros locais ao redor do mundo, como Argentina, Uruguai, Índia, África do Sul, leste da Austrália, China e algumas partes da Europa. No Brasil, embora menos comuns, elas ocorrem principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Embora seja complicado vincular um evento específico ao aquecimento global, pesquisadores têm notado mudanças nas condições atmosféricas que favorecem tempestades mais intensas. Segundo Celina, estudos recentes sugerem um aumento na energia disponível na atmosfera, o que pode propiciar tempestades de maior magnitude.

Tércio acrescenta que já existem indícios claros de que o aquecimento global está intensificando eventos extremos de precipitação. “O aumento da temperatura do planeta resulta em uma maior quantidade de vapor d’água na atmosfera. Isso intensifica chuvas extremas. No entanto, ainda precisamos de mais investigações para determinar se há um aumento específico de supercélulas”, conclui o pesquisador.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade