A Fitch Ratings atribuiu à Azul classificações de crédito de “B-” tanto em moeda estrangeira quanto local, além da nota nacional “BBB-(bra)”, todas com perspectiva estável, após a companhia aérea finalizar seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.
Segundo a agência, a nota ‘B-’ reflete a significativa melhoria nos indicadores de crédito da Azul, que foi capaz de reduzir sua dívida em 42% e cortar custos relacionados à frota e leasing. No entanto, essa classificação ainda enfrenta limitações devido à alta volatilidade do setor e aos desafios financeiros da Azul, que incluem a escassez de ativos livres de bônus, liquidez restrita e um nível elevado de dívida após a reestruturação.
Os analistas Debora Jalles e Rogelio Gonzalez Gonzalez preveem que a alavancagem da Azul será reduzida pela metade, alcançando cerca de 3 vezes até 2026, uma queda significativa em relação às 6,2 vezes anteriores. Eles ressaltam que essa avaliação representa um novo capítulo para a companhia aérea brasileira, que conseguiu um corte expressivo em sua dívida e uma drástica diminuição nos custos operacionais.
A Fitch também antecipa uma melhoria no fluxo de caixa operacional da Azul em 2026, impulsionada por um aumento no tráfego doméstico e uma gestão mais eficiente de custos. A agência projeta um EBITDA ajustado de R$ 6,8 bilhões para 2026 e R$ 7,6 bilhões para 2027, comparado a R$ 5,2 bilhões em 2024 e R$ 6,6 bilhões em 2025. Segundo a Fitch, uma base de custos mais eficiente está resultando em margens mais elevadas.
Além disso, a devolução de aeronaves e a renegociação de contratos deverão levar a uma redução acentuada nos pagamentos de leasing, que cairão 33%, passando de US$ 827 milhões no período anterior à recuperação judicial para US$ 557 milhões anuais.