Uma proteína que o corpo humano produz naturalmente pode ser crucial no combate à sepse, uma das principais causas de mortalidade atualmente. Um estudo pré-clínico revelou que a reposição dessa molécula resultou em uma redução significativa na mortalidade em um modelo experimental da doença.
A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, em colaboração com a Rede Local de Saúde de Adelaide Central, e seus achados foram publicados em 12 de janeiro na revista Endocrinology.
Os resultados renovam as esperanças por novas abordagens terapêuticas, especialmente considerando a estagnação nos avanços no tratamento do choque séptico nos últimos anos. Durante o estudo, os pesquisadores restauraram os níveis de uma proteína conhecida como globulina de ligação a corticosteroides (CBG) em ratos que apresentavam choque séptico. Observou-se uma queda de mais de 70% na mortalidade em comparação aos animais que não receberam a reposição.
Além de melhorar a taxa de sobrevivência, a intervenção também reduziu episódios de hipotensão — uma queda aguda da pressão arterial — e minimizou danos a órgãos vitais, complicações típicas dos casos mais graves de sepse.
De acordo com os autores, os dados sugerem que a CBG pode ter um efeito anti-inflamatório que vai além de sua função já conhecida no organismo. A globulina de ligação a corticosteroides, produzida no fígado, é responsável por transportar o cortisol no sangue, um hormônio essencial para regular a resposta ao estresse e controlar a inflamação.
Após 13 anos de investigações, os cientistas descobriram que níveis reduzidos de CBG estão associados a formas mais severas da doença. Em pacientes com choque séptico internados no Royal Adelaide Hospital, a deficiência dessa proteína foi relacionada a um risco de mortalidade até três vezes maior.
As investigações recentes indicam que a proteína CBG pode ativar uma resposta anti-inflamatória própria, o que destaca seu potencial como um novo anti-inflamatório natural após anos sem descobertas significativas nesse campo.
A sepse é uma complicação grave que ocorre quando o organismo reage de maneira exagerada a uma infecção, desencadeando uma inflamação generalizada que pode afetar tecidos e órgãos. Nos casos mais críticos, a condição evolui para choque séptico, caracterizado por uma queda severa da pressão arterial e risco de falência múltipla de órgãos.
Especialistas apontam que a tendência é de um aumento nos casos de sepse, impulsionada por cirurgias invasivas, uso crescente de dispositivos implantáveis e terapias que comprometem a imunidade dos pacientes.
Com resultados promissores em estudos com animais, a equipe já deu início à produção da CBG para os primeiros ensaios clínicos em humanos, com o objetivo de avaliar a segurança e eficácia da terapia em pacientes com sepse e choque séptico. Os pesquisadores também acreditam que essa abordagem pode beneficiar indivíduos com queimaduras severas e outras condições associadas a níveis reduzidos da proteína.
Embora os achados ainda necessitem de confirmação em estudos clínicos, os cientistas enxergam essa descoberta como um passo importante na busca por tratamentos que possam reduzir a mortalidade causada pela sepse.