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“A Hiperindependência pode comprometer relacionamentos”, alerta psicóloga

Ralf Hiemisch / Getty Images

A tendência de resolver tudo por conta própria é frequentemente vista como uma virtude. No entanto, quando alguém sente a necessidade de enfrentar todos os desafios sozinho, isso pode ser um sinal de hiperindependência. A psicóloga clínica Débora Porto, que se especializa em saúde da mulher em Brasília, esclarece que essa não é uma condição patológica, mas pode ter impactos negativos na saúde mental da pessoa.

“Não estamos tratando de um transtorno, mas sim de um padrão emocional em que a pessoa acredita que precisa gerir tudo sozinha, apresentando uma real dificuldade em pedir ou aceitar auxílio”, explica ela. Débora ressalta que essa situação difere da autonomia saudável, onde há uma escolha consciente: a pessoa é capaz de se virar, mas também está aberta a receber apoio quando necessário. Na hiperindependência, a rigidez é predominante. “Acredita-se que confiar em outra pessoa é arriscado, levando a pessoa a pensar que a colaboração pode resultar em decepção”, acrescenta.

O psiquiatra Eduardo Perin, expert em terapia cognitivo-comportamental (TCC), reforça que a hiperindependência não é um diagnóstico reconhecido, mas pode estar associada a quadros de ansiedade, depressão e traumas. No contexto cerebral, essa condição pode provocar um estado de estresse contínuo, mantendo a pessoa em um estado de alerta e dificultando o relaxamento. Perin observa que esse padrão se solidifica com o tempo: “O cérebro aprende que ‘depender é perigoso’”.

Débora Porto também menciona que, em muitos casos, experiências passadas de dependência geraram frustração, crítica ou abandono. Para evitar novas dores emocionais, a pessoa adota a postura de resolver tudo sozinha. No entanto, muitas vezes essa atitude não é resultado de traumas profundos, mas sim de comportamentos aprendidos em família ou reforçados por normas culturais.

Com o passar do tempo, esse comportamento pode trazer sofrimento. Sinais comuns incluem a tensão no trabalho ao precisar confiar em colegas, insônia, tensão muscular e a sensação de estar sempre “ligada”. Perin alerta que a manutenção desse padrão pode levar à solidão e ao esgotamento emocional, além de dificultar o reconhecimento da necessidade de ajuda profissional e a minimização dos próprios sintomas.

Em relacionamentos saudáveis, a troca e a divisão de responsabilidades são essenciais, e a hiperindependência pode atrapalhar essa dinâmica. Débora Porto explica que a pessoa pode assumir todas as decisões e raramente expressar o que realmente sente, o que pode gerar uma sensação de solidão. “Permitir que alguém entre na sua vida requer vulnerabilidade, e para aqueles que aprenderam a se cuidar sozinhos, isso pode ser desafiador.”

O parceiro pode se sentir excluído, e na dinâmica familiar ou nas amizades, a pessoa geralmente é vista como “a forte”, aquela que soluciona tudo, mas que raramente compartilha suas próprias fragilidades. Segundo Eduardo Perin, a psicoterapia, especialmente abordagens focadas em vínculos e padrões de relacionamento, é o principal método de tratamento. Medicamentos podem ser prescritos em casos de ansiedade, depressão ou traumas associados.

Os especialistas enfatizam que o objetivo não é renunciar à independência, que é uma qualidade valiosa. O foco está em trabalhar a rigidez do comportamento. O processo envolve desafiar crenças como “só posso contar comigo” e experimentar pequenas ações de confiança, como delegar tarefas simples, compartilhar dificuldades leves e aceitar o desconforto de não ter controle total. Para que o cérebro aprenda por meio da experiência, é fundamental vivenciar trocas seguras e perceber que confiar não representa uma ameaça.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade