O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), que é pré-candidato ao governo do estado, revelou nesta quinta-feira (19) a escolha da advogada Jane Reis para compor sua chapa como candidata a vice. Jane é irmã de Washington Reis, presidente estadual do MDB e ex-prefeito de Duque de Caxias, bastião eleitoral da família na Baixada Fluminense.
Washington Reis, que é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e já ocupou a Secretaria de Transportes no governo de Cláudio Castro, do PL, enfrenta inelegibilidade devido a uma condenação por crime ambiental e busca reverter essa decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).
Jane, que já se lançou como candidata pelo MDB à prefeitura de Magé, obteve 5,92% dos votos na eleição anterior e é evangélica, casada com um pastor. Paes também anunciou que se afastará da prefeitura em 20 de março, atendendo à exigência legal que obriga candidatos em mandato a renunciar até seis meses antes das eleições.
A escolha de Jane Reis é interpretada como uma estratégia de Paes para reforçar sua presença na Baixada Fluminense, uma região crucial nas eleições do estado. Até então, Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, era o nome mais cotado para a vice, mas questões partidárias (a federação entre PP e União Brasil) dificultaram sua viabilização.
Além do peso político da família Reis, a inclusão de Jane traz significados importantes para a pré-campanha: a representatividade feminina na chapa majoritária, um diálogo mais próximo com o eleitorado evangélico — onde Paes busca amenizar resistências — e a ampliação da presença do PSD em todo o estado, utilizando a estrutura de prefeitos e líderes regionais do MDB.
Com a entrada do MDB, Paes expande suas alianças que já contavam com o apoio do PT e de setores da esquerda, agora atraindo uma parte que tinha fortes vínculos com a família Bolsonaro. O novo arranjo busca apresentar a chapa de Paes como uma “frente ampla”, reunindo desde a centro-direita até a esquerda progressista na corrida pelo Palácio Guanabara.
Em 2018, Paes foi derrotado na eleição para governador do RJ por Wilson Witzel, recebendo 40,13% dos votos no segundo turno. A diferença foi ainda maior em Duque de Caxias, onde Witzel obteve 68% a 32%. Em Nova Iguaçu, outro município importante na região, Witzel conquistou quase 70% dos votos.
A formalização da aliança entre Paes e o MDB ocorreu em um evento que contou com a presença do presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi. O ex-presidente Michel Temer, que também deveria participar do anúncio, não conseguiu ajustar sua agenda conforme informado por fontes próximas.
A presença de Temer foi aludida em um desfile da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí, que homenageou a trajetória do presidente Lula, que igualmente apoia a candidatura de Paes. Durante o desfile, o ex-presidente foi representado por um ator em uma cena que aludia ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016, quando “roubou” a faixa presidencial no carro alegórico da escola.