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Vila Isabel e Salgueiro brilham na terceira noite do Grupo Especial do carnaval carioca

1 de 5 Baianas no desfile da Unidos de Vila Isabel na Sapucaí, na madrugada de quarta (18). — Foto: Pablo Porciuncula/AFP

As escolas de samba Unidos de Vila Isabel e Acadêmicos do Salgueiro se destacaram na terceira noite de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, que teve início na noite de terça-feira (17) e se estendeu até a madrugada de quarta (18). As apresentações na Marquês de Sapucaí foram marcadas por homenagens a grandes figuras da cultura brasileira e celebraram a ancestralidade.

Além delas, Paraíso do Tuiuti e Acadêmicos do Grande Rio também fizeram suas apresentações, todas respeitando o limite de tempo de 80 minutos. Nas duas noites anteriores, as escolas que brilharam foram Imperatriz Leopoldinense, Estação Primeira de Mangueira, Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro. Acadêmicos de Niterói, Portela, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca também já haviam se apresentado.

A apuração dos resultados acontece nesta quarta-feira e será transmitida pelo g1 e pela TV Globo, logo após a reprise de “Rainha da Sucata” no Vale a Pena Ver de Novo.

Desfiles do 3º dia:
– Paraíso do Tuiuti
– Unidos de Vila Isabel
– Acadêmicos do Grande Rio
– Acadêmicos do Salgueiro

Paraíso do Tuiuti
Com o enredo “Lonã Ifá Lukumí”, a Tuiuti explorou a rica trajetória histórica, religiosa e filosófica da tradição de Ifá, que se origina na África Ocidental e se espalha pelo Caribe até chegar ao Brasil. Abrindo a terceira noite, a escola encantou a Sapucaí com suas cores branco e prata, simbolizando os orixás primordiais. O desfile começou com um abre-alas impressionante, que incluía elefantes robóticos em tripés, seguido de uma bateria que apresentou uma coreografia envolvente com a rainha Mayara Lima e seus atabaques.

As cores vibrantes não ficaram de fora, e logo na segunda alegoria, uma pirâmide dourada giratória, simbolizando o Egito, cercada por divindades da antiga civilização, foi apresentada. O desfile também fez uma conexão entre Cuba, onde a religião se adaptou a novas culturas, e o Brasil, com toques de verde e amarelo nas fantasias e alegorias, representando o Ifá cubano e a bandeira brasileira. O cantor Pixulé se destacou ao longo dos 77 minutos de apresentação, especialmente durante as paradas da bateria.

Unidos de Vila Isabel
Após uma oitava colocação em 2025, a Unidos de Vila Isabel almejava conquistar seu quarto título do Grupo Especial, homenageando o multiartista Heitor dos Prazeres e sua ligação com a cultura afro-brasileira. A homenagem começou com a comissão de frente, que retratou a vida do artista, uma fusão de ateliê de pinturas, tradições religiosas e samba, um dos pilares das primeiras escolas de samba do Brasil. As cores vibrantes de suas obras se espalharam por todo o desfile, especialmente nos jalecos pintados à mão da bateria.

O desfile contou com a presença do presidente de honra da agremiação, Martinho da Vila, e uma bisneta de Tia Ciata logo no início. O intérprete Tinga fez diversas paradas para que o público pudesse cantar junto o samba composto por André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho Cruz. A rainha Sabrina Sato impressionou com uma fantasia de 40 kg, e o último carro celebrou a participação de Heitor dos Prazeres no primeiro festival mundial de artes negras, em 1966, trazendo também Heitorzinho, seu filho.

Acadêmicos do Grande Rio
A vice-campeã do carnaval carioca de 2025, com apenas 0,1 ponto atrás da Beija-Flor, a Grande Rio buscou a vitória com um samba que homenageava o movimento Manguebeat. A apresentação começou com luzes apagadas, criando um contraste com os tons vibrantes do roxo de suas primeiras alas, que representavam a terra fértil do mangue. O abre-alas foi uma grande mistura púrpura, retratando a vida nesse bioma, com capivaras, jacarés, caranguejos e garças entre as raízes dos manguezais.

Um dos grandes destaques foi a estreia de Virginia como rainha da bateria, que, mesmo enfrentando desafios, sambou e declarou apoio ao namorado, o jogador Vini Jr., que havia sido alvo de racismo em uma partida na mesma noite. A apresentação também rendeu uma homenagem a Chico Science, um dos fundadores do movimento e do grupo Nação Zumbi, que foi representado em um tripé com antenas parabólicas. O último carro trouxe novamente Nanã, orixá da lama, que também fez parte da comissão de frente.

Acadêmicos do Salgueiro
Em busca de seu décimo título no Grupo Especial, o Salgueiro trouxe um enredo dedicado à carnavalesca Rosa Magalhães, a maior vencedora da história da Sapucaí, com seis títulos (e mais um antes da construção do sambódromo). A escola apostou em uma comissão de frente mais tradicional, com dançarinos se apresentando na avenida, acompanhados de alegorias que representavam os livros que a homenageada tanto amava.

O rosa predominou durante o desfile, com destaque para o casal de mestre-sala e porta-bandeira e o abre-alas, que representava um grande navio simbolizando as viagens da imaginação da carnavalesca, adornado com referências a desfiles por ela realizados em diversas agremiações. A bateria, inspirada pelo tema, entrou na avenida vestida de piratas, e até um violino ganhou destaque ao ressoar em meio às paradinhas dos ritmistas. Viviane Araújo, a rainha mais duradoura do Grupo Especial carioca, também se apresentou mais uma vez. Apesar de um pequeno contratempo na evolução, a escola conseguiu completar seu desfile pontualmente, encerrando a noite sem atrasos.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade