Nesta terça-feira (10/2), uma série de divulgações significativas tanto no Brasil quanto no exterior promete agitar o mercado financeiro, levando a um apelido de “Dia de Dados”. Esses indicadores são cruciais, pois podem influenciar as diretrizes da política monetária, especialmente no Brasil, onde já se cogita uma redução na taxa Selic, atualmente fixada em 15% ao ano, um nível considerado restritivo por especialistas.
O destaque na agenda brasileira é a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que reflete a inflação oficial do país. A responsabilidade pela divulgação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e os dados são essenciais para prever a trajetória futura das taxas de juros.
Júlio Barros, economista do Banco Daycoval, projeta um aumento de 0,31% no IPCA, com ênfase no setor de serviços, que deverá apresentar um desempenho mais ameno devido à deflação nas passagens aéreas. Em contrapartida, o grupo de bens industriais pode exercer pressão, especialmente com a alta nos preços do etanol.
“Nossa previsão atualizada para o ano é de 3,8%, com um viés de baixa. Como já esperávamos, o Banco Central deve iniciar o ciclo de cortes nas taxas de juros em março. Contudo, a expectativa é de uma redução de 0,25%, e eventuais surpresas na divulgação de amanhã podem aumentar as chances de um corte mais acentuado”, afirmou.
A meta de inflação está fixada em 3% ao ano, com uma margem de tolerância de 1,5% tanto para cima quanto para baixo. Quando a inflação se desvia significativamente da meta, o Banco Central (BC) pode optar por manter as taxas de juros elevadas para trazer o indicador de volta à trajetória desejada.
Ainda nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participarão da “CEO Conference Brasil”, evento promovido pelo BTG. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, também está agendado para o evento.
Não há informações sobre uma possível conversa entre Haddad e Bessent, que tinham uma reunião marcada para discutir as tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump, mas que acabou não acontecendo.
Nos Estados Unidos, as atenções se voltam para o relatório do mercado de trabalho, o payroll, que será divulgado na quarta-feira (11/2). Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, em inglês) será apresentado na sexta-feira (13/2), atraindo o foco do mercado americano e global.
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