A campanha idealizada pela família de Arthur, um menino de 6 anos residente em Sorocaba (SP), foi alvo de um golpe que resultou no desvio de parte das doações destinadas ao seu tratamento. Arthur é portador da Distrofia Muscular de Duchenne, uma doença genética, progressiva e sem cura, que afeta os músculos, o coração e a capacidade respiratória.
Para financiar um medicamento que, segundo a mãe, pode “interromper a progressão da doença”, a família lançou uma vaquinha online, com um custo estimado em R$ 17 milhões. Além do medicamento, que não está disponível no Brasil, Arthur também precisa viajar para os Estados Unidos para continuar seu tratamento, o que aumenta ainda mais os gastos.
“Estamos quase alcançando R$ 1 milhão agora”, comentou a mãe.
Golpe revelado por erro de digitação
No início deste ano, um dos doadores contatou a família após perceber que, devido a um erro, a transferência que fez não foi encaminhada para a conta oficial da campanha. O doador percebeu que a chave PIX utilizada não estava associada ao nome da criança.
O doador digitou incorretamente o e-mail da chave correta, mas a transferência foi efetivada. Ele descobriu que o valor foi enviado para outra pessoa — um golpista que criou chaves PIX semelhantes para capturar os recursos de doações feitas de forma equivocada.
Suspeito identificado
A família acionou a Polícia Civil, que conseguiu identificar o suspeito. O delegado Felipe Orosco relatou que os investigadores encontraram outras chaves PIX parecidas com as da campanha. O acusado, Henrique Santos de Moreira, de 22 anos, foi localizado em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.
Em seu depoimento, ele admitiu ter utilizado dez e-mails diferentes como chaves PIX, recebendo cerca de R$ 4 mil. Henrique foi indiciado por estelionato qualificado e está respondendo ao processo em liberdade. O Fantástico não obteve retorno do advogado dele.
Banco Central implementa novas medidas de segurança
Em resposta à crescente incidência de fraudes envolvendo o PIX, o Banco Central introduziu atualizações no sistema. Agora é possível rastrear o fluxo de dinheiro por até cinco contas utilizadas em golpes.
De acordo com Breno Lobo, do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do BC, essa nova diretriz está facilitando a identificação de outras contas envolvidas em fraudes e o bloqueio dos valores nelas. Desde outubro do ano passado, as vítimas podem contestar operações diretamente pelo aplicativo do banco. Lobo recomenda que os usuários sempre verifiquem o nome, CPF ou CNPJ do destinatário antes de finalizar a transferência.
Família continua a mobilização
Apesar do incidente, a família persiste na campanha para financiar o tratamento de Arthur. A mãe expressa sua determinação: “Meu filho vai viver. Arthur, de Sorocaba, ainda terá uma vida cheia de alegrias.”
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