Com a confirmação do remake de “Vale Tudo”, surgiram especulações de que Carolina Dieckmann havia pressionado para assumir o papel da alcoólatra Heleninha, que, no entanto, foi entregue a Paolla Oliveira. A atriz acabou interpretando Leila, um papel que lhe permitiu brilhar ao lado de Alexandre Nero.
Agora, com a estreia de “(Des)Controle” nos cinemas brasileiros, Carolina tem a oportunidade de explorar uma faceta que poderia ter desenvolvido como Heleninha. No filme, ela vive Kátia, uma escritora de literatura infantil que recorre ao álcool para enfrentar uma crise criativa e o término de seu casamento.
Com um extenso portfólio que inclui personagens como Edwiges, de “Mulheres Apaixonadas”, e Isabel, de “Senhora do Destino”, além de vilãs marcantes como Leona, de “Cobras e Lagartos”, Carolina encontra em “(Des)Controle” a profundidade que faltou em suas atuações na televisão.
Kátia não se assemelha aos estereótipos de alcoolistas que costumamos ver nas novelas. Ela leva uma vida organizada e funcional, com o álcool surgindo como uma fuga das pressões diárias. O vício se instala gradualmente, permitindo que Carolina explore as múltiplas facetas da personagem.
Com grande precisão, a atriz ilustra como o álcool pode sabotar a vida de alguém. Ela constrói uma protagonista que se deteriora em silêncio, expressando sua dor através de olhares distantes e gestos contidos. O minimalismo em sua atuação revela a profundidade do impacto do alcoolismo na vida de Kátia, distanciando-se da imagem que o público geralmente tem dela nas novelas.
Carolina é, sem dúvida, o maior atrativo de “(Des)Controle”. O filme evidencia seu amadurecimento como atriz e o imenso potencial para interpretar papéis fora do convencional. Agora, é fundamental que diretores e produtores a vejam além dos rótulos que a televisão lhe impôs.