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Pesquisador brasileiro desenvolve inovadora ressonância magnética para odontologia

Divulgação

As máquinas de ressonância magnética têm se tornado essenciais na medicina, proporcionando diagnósticos mais precisos. Agora, uma nova tecnologia está prestes a revolucionar o campo da odontologia. Um equipamento projetado especialmente para examinar a cavidade oral está em fase de testes e deverá ser implementado no Brasil ainda neste ano.

Essa inovação é fruto de um trabalho liderado pelo cirurgião-dentista, investigador e professor Rubens Spin-Neto, vinculado à Universidade de Aarhus, na Dinamarca. Em entrevista ao Metrópoles, ele detalhou que a proposta da ressonância magnética voltada para a odontologia visa oferecer imagens mais detalhadas e seguras, capazes de identificar alterações que muitas vezes não são percebidas em exames convencionais.

De acordo com Spin-Neto, um dos grandes avanços dessa nova tecnologia é a eliminação total da exposição à radiação ionizante, que é comum em muitos dos exames de imagem atualmente utilizados na odontologia. Além da segurança, essa ressonância apresenta outra vantagem significativa: enquanto radiografias e tomografias se concentram em estruturas rígidas, como dentes e ossos, o novo equipamento possibilita a visualização clara dos tecidos moles da boca.

“Muitos pacientes buscam o dentista devido a dores, cáries ou problemas ósseos, mas a causa pode estar nos tecidos moles. Esta é a primeira técnica de imagem que, dentro da odontologia, consegue avaliar de forma detalhada tanto os tecidos mineralizados quanto os moles”, destaca o pesquisador.

Outra questão importante levantada por ele é a capacidade de detectar alterações mais precocemente, antes que doenças se agravem. O funcionamento do equipamento é similar ao de uma ressonância magnética hospitalar, mas com adaptações significativas. O paciente se deita e uma antena específica captura imagens da região maxilofacial, incluindo a boca, mandíbula, maxila e seios maxilares.

“Embora lembre uma ressonância tradicional, este dispositivo é menor, mais leve e focado apenas na face, tornando o exame menos claustrofóbico e mais confortável para o paciente”, explica Spin-Neto.

O desenvolvimento desse equipamento teve início em 2021, com os primeiros estudos clínicos iniciados em 2022. Desde então, mais de 500 pacientes participaram das pesquisas iniciais, que avaliam a qualidade das imagens, os benefícios clínicos e a experiência dos pacientes durante o exame.

Os testes começaram na Dinamarca e, a partir de 2024, serão expandidos para outros países da Europa e América do Norte. Atualmente, existem cerca de dez aparelhos em operação no mundo, a maioria ainda em fase de pesquisa.

A autorização para uso clínico da tecnologia é recente; na Europa, a aprovação ocorreu em janeiro de 2025, e nos Estados Unidos, no final do mesmo ano. Com essas liberações, o caminho para a implementação no Brasil está aberto.

“Quando a Europa e os Estados Unidos aprovam uma nova tecnologia, a Anvisa também tende a autorizar seu uso e comercialização no Brasil”, esclarece Spin-Neto.

A expectativa é de que os primeiros equipamentos sejam oficialmente apresentados ainda neste ano, durante um importante congresso de odontologia em São Paulo. Após isso, as empresas responsáveis pelo desenvolvimento devem começar a distribuição no país.

Embora ainda não haja uma previsão de preço para o exame no Brasil, Spin-Neto enfatiza que a prevenção pode resultar em economia a longo prazo, evitando gastos com tratamentos mais complexos.

“A prevenção é sempre a alternativa mais econômica. Uma tecnologia que antecipa diagnósticos pode gerar economia, especialmente em um país com uma grande população como o Brasil”, afirma.

Para o pesquisador, o Brasil possui uma vantagem significativa na adoção dessa nova tecnologia, uma vez que a radiologia odontológica é parte da formação dos cirurgiões-dentistas, o que deve facilitar a adaptação ao novo procedimento.

“O treinamento foi projetado para seguir uma lógica similar às tecnologias de imagem já existentes. Muitos profissionais brasileiros já têm familiaridade com ressonância magnética, o que torna essa transição mais natural”, conclui.

Spin-Neto ressalta que testemunhar a chegada dessa tecnologia ao Brasil tem um significado muito especial para ele.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade