Em 1969, os astronautas da Apollo 11 se tornaram os mais famosos do mundo ao chegar à Lua. A chegada da nave estadunidense marcou o ápice da corrida espacial na Guerra Fria e por décadas a disputa entre a Nasa e os cosmonautas soviéticos parecia ter ficado perdida na poeira do espaço. Nos últimos anos, porém, com a ascensão da China no cenário mundial, os motores voltaram a se esquentar em uma série de lançamentos de foguetes.
Agora, tanto a Nasa como a Cnsa possuem missões espaciais agendadas para chegar ao satélite em 2030 e os planos são mais ambiciosos do que apenas estacionar na Lua, como ocorreu há quase seis décadas. Os planos de exploração científica e até econômica do satélite estão em discussão, podendo levar à revisão de acordos internacionais e até à primeira colonização do espaço.
A convergência de prazos criou cenário comparável à corrida espacial do século 20 e especialistas indicam que isso pode não ser por acaso. Em uma audiência pública no Senado dos EUA, os políticos americanos afirmaram que a China poderia ameaçar a soberania americana ao se estabelecer na Lua antes da nova missão da Nasa, mas o cenário é desolador aos EUA.
“A menos que algo mude, é altamente improvável que os Estados Unidos consigam cumprir o cronograma projetado pela China”, disse o ex-administrador da Nasa, Jim Bridenstine, no evento.
A Nasa planeja levar astronautas à superfície lunar por meio da missão Artemis III, embora atrasos acumulados e as rusgas na parceria com a SpaceX, de Elon Musk, que fornecerá os foguetes necessários, gerem incerteza. A nave Starship tem passado por melhorias a cada ano e conseguiu completar suas três últimas missões com sucesso, dando fôlego aos planos de viagem dos EUA.
Mais do que chegar, porém, o desafio envolve a sustentabilidade, cadência de missões, infraestrutura e produção científica, na qual o programa de avanços consistentes da China parece levar vantagem. Entre as conquistas deles, a missão Chang’e-6, em junho de 2024, entregou as primeiras amostras do lado oculto da Lua coletadas por uma sonda robótica.
“Geopoliticamente, seria uma grande mudança de prestígio se a China chegar lá antes e poderia influenciar as normas futuras sobre operações e recursos lunares. Cientificamente, aceleraria as descobertas, mas potencialmente de forma mais fragmentada se o compartilhamento de dados permanecer limitado”, diz Bergantini.
Ambos países, porém, enfrentam uma série de desafios impostos pela natureza do cosmos para cumprirem seus objetivos. Uma viagem espacial de longa duração pode levar à perda de massa óssea e muscular, além de o organismo sofrer com impactos da radiação.
As agências estão mitigando esses problemas com aprimoramentos na blindagem e na vestimenta dos futuros astronautas. Mas os custos de se envolver em uma operação dessa seguem, literalmente, astronômicos.
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