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Câncer do colo do útero: novo guia traz orientações sobre o papanicolau

Divulgação/João Risi/Ministério da Saúde

Na última quinta-feira (8/1), a Fundação do Câncer lançou uma versão revisada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, com ênfase nas recentes alterações nas abordagens de rastreamento da doença no Brasil. Este material visa oferecer suporte aos profissionais de saúde durante a transição do exame citológico, conhecido como papanicolau, para o teste molecular de DNA do papilomavírus humano (HPV), cuja implementação já começou no Sistema Único de Saúde (SUS).

A primeira edição do guia, divulgada em 2022, abordava temas como a vacinação contra o HPV e o rastreamento por meio da citologia, que era o método padrão na época. Desde então, tanto as políticas de imunização quanto as diretrizes para detecção precoce passaram por atualizações, o que motivou a revisão do documento.

A principal inovação do guia é a inclusão das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, que foram aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Essas diretrizes prevêem a transição gradual do papanicolau para o teste de DNA-HPV, que identifica diretamente a presença de tipos do vírus relacionados ao câncer.

Os testes moleculares para detecção do HPV oncogênico começarão a ser oferecidos pelo SUS em 2024, de forma escalonada, iniciando nos municípios de 12 estados, que estão em diferentes etapas de adoção da nova estratégia. O Ministério da Saúde já está dialogando com outros estados para expandir o uso dessa tecnologia. Enquanto o teste molecular não estiver disponível em algumas regiões, o rastreamento por citologia continuará a ser válido.

O grupo-alvo para o rastreamento permanece inalterado: mulheres entre 25 e 64 anos devem realizar exames preventivos, independentemente do método disponível. A decisão de manter essa faixa etária levou em conta a experiência acumulada no país e a necessidade de evitar a coexistência de dois modelos diferentes dentro da mesma unidade de saúde.

Entretanto, a periodicidade dos exames muda conforme o tipo de teste. No caso do rastreamento por citologia, o exame deve ser realizado a cada três anos, após dois resultados negativos com intervalos anuais. Para os locais onde o teste de DNA-HPV já está disponível, o intervalo pode ser estendido para cinco anos após um resultado negativo, conforme detalhado no guia.

A infecção por papilomavírus humano (HPV) é uma das mais prevalentes e pode ser prevenida com vacinação. Ela provoca lesões na pele dos órgãos genitais em homens e mulheres, que podem ter texturas suaves ou rugosas e colorações variadas, sem causar dor, mas sendo contagiosas. Os sintomas podem ser assintomáticos, e a melhor forma de prevenção do HPV é evitar a transmissão e utilizar a vacina.

De acordo com estudos, 1 em cada 3 homens está infectado, e essa infecção também pode trazer riscos à saúde deles, aumentando a probabilidade de câncer de pênis e ânus, por exemplo. O documento enfatiza que o rastreamento não substitui a vacinação contra o HPV, que é considerada uma das principais estratégias para diminuir a incidência do câncer de colo do útero. A vacina quadrivalente está disponível gratuitamente no SUS desde 2014 e protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus.

Atualmente, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem uma dose única, além de grupos prioritários, como pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual, usuários de PrEP e pacientes com papilomatose respiratória recorrente, que seguem esquemas específicos. O Programa Nacional de Imunizações manterá até o primeiro semestre de 2026 uma ação voltada a adolescentes de até 19 anos que não foram vacinados na faixa etária recomendada.

O guia também ressalta que a vacina é segura, não promove o início precoce da vida sexual e já teve centenas de milhões de doses aplicadas mundialmente, com eventos adversos geralmente leves.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade