Embora a COP 30, que ocorreu em novembro em Belém, Pará, tenha sido um marco significativo para o debate e o alinhamento de estratégias no combate à mudança climática, o verdadeiro obstáculo reside na implementação de ações efetivas. Essa é a avaliação da professora Mariana Balau, chefe do departamento de Relações Internacionais da PUC Minas, em entrevista à Itatiaia.
“O principal desafio atualmente é fazer a implementação acontecer. A ministra Marina Silva, antes da COP 30, se referiu ao evento como a conferência da implementação, enquanto o presidente Lula mencionou a COP como a conferência da verdade. De fato, a grande tarefa agora é colocar em prática o que foi acordado em Paris, que completou uma década e representa a principal decisão política na área de mudanças climáticas”, ressalta.
Durante a COP 30, 111 dos 195 países que assinaram o Acordo de Paris apresentaram suas contribuições para enfrentar os desafios climáticos, embora a ausência de países como os Estados Unidos tenha sido notável.
“A falta dos Estados Unidos é particularmente significativa, pois o país ainda é o maior emissor de gases de efeito estufa. Embora a China seja o maior emissor em termos absolutos, a responsabilidade histórica dos Estados Unidos não pode ser ignorada. Quando os Estados Unidos se comprometem com essa agenda, o progresso é muito mais rápido. A estrutura do Acordo de Paris foi elaborada com o suporte dos EUA durante o governo Obama. Portanto, essa ausência é, sem dúvida, sentida”, observa a professora.
“Por outro lado, novas estruturas de financiamento estão sendo desenvolvidas, mesmo com essa falta, e algumas lideranças estão surgindo para tentar preencher esse vazio”, acrescenta.
De acordo com a professora, o tema central da COP 30 foi a descarbonização e a busca por alternativas aos combustíveis fósseis. “Atualmente, o debate se concentra na necessidade de uma transição gradual para a redução do uso de combustíveis fósseis. Esse talvez tenha sido o foco principal da COP: a urgência de traçar um plano para essa transição”, conclui.