Os dados de emprego divulgados nesta terça-feira (30) revelaram uma realidade contraditória no Brasil. De manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou que a taxa de desemprego caiu para 5,2%, marcando o menor índice já registrado no trimestre que terminou em novembro. No entanto, horas mais tarde, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) reportou que novembro foi o mês com o menor número de novas vagas formais na série histórica, com apenas 85,9 mil oportunidades criadas.
Esses dados costumam ser divulgados em um intervalo curto, frequentemente apresentando resultados divergentes. A pesquisa do IBGE abrange um espectro mais amplo, incluindo informações sobre o emprego informal, ao passo que o Caged se limita a contabilizar contratações formalizadas com carteira assinada, enviadas pelas empresas.
Economistas consultados pelo CNN Money analisam a situação atual do mercado de trabalho no Brasil, tentando entender como a taxa de desemprego pode melhorar em meio à diminuição de vagas formais. Segundo Mauricio Nakahodo, professor de economia na ESEG, há uma desaceleração na criação de empregos com carteira assinada, reflexo da alta taxa de juros. “Embora os números estejam abaixo dos meses anteriores, isso ainda é esperado em um contexto de desemprego reduzido”, acrescenta.
O professor também observa que o crescimento de outras formas de trabalho, como contratos de Pessoa Jurídica e atividades de motoristas de aplicativo e entregadores, contribui para a baixa taxa de desemprego. De acordo com economistas, a baixa taxa de desemprego observada pelo IBGE também é resultado do aumento da renda e da diminuição da informalidade no país, resultado de uma combinação de fatores sazonais e políticas públicas com incentivos fiscais.
Cristina Helena Pinto, professora de economia da PUC-SP, comenta que, mesmo com as taxas de juros elevadas, a economia se mostra mais estruturada e resistente às políticas monetárias, graças ao suporte da política fiscal que tem promovido o crescimento da atividade econômica e das oportunidades de emprego.
Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, reforça que as políticas públicas têm sido fundamentais para o aumento da renda e a manutenção do baixo desemprego. Para ela, essa combinação de fatores é crucial para sustentar a sequência de recordes de baixa taxa de desemprego, uma vez que a redução no número de desocupados estimula a demanda por serviços e atividades que geram empregos, como comércio e serviços.
“Observamos um consumo familiar robusto e resiliente. Embora as expansões tenham sido menos pronunciadas devido aos efeitos da política monetária, a atividade econômica continua firme”, explica.
Os dados refletem um ciclo de crescimento: a queda do desemprego ocorre em um contexto de expansão econômica. Com uma maior massa salarial, a população tem mais poder de compra, o que impulsiona diversos setores da economia e, por consequência, gera ainda mais empregos.
Renan Pieri, professor de economia da FGV, destaca que esse ciclo tende a se intensificar no final do ano. “O segundo semestre é geralmente favorável para a economia, com eventos significativos no varejo, como a Black Friday e o Natal, o que também contribui para essa nova mínima histórica”, afirma.
Helena Pinto, da PUC-SP, concorda que a sazonalidade desempenha um papel crucial nesses números. “Há um aumento na atividade que pode estar relacionado a expectativas elevadas para o final do ano, incentivando mais contratações.”
Nas redes sociais, o presidente Lula celebrou os resultados. Em uma publicação no X — antigo Twitter — ele mencionou que “enquanto 2025 não chega, continuamos quebrando recordes.” Além disso, expressou sua esperança de que o próximo ano traga “ainda mais prosperidade e oportunidades para o povo brasileiro.”