O general Walter Braga Netto está sob a ameaça de perder seu cargo e patente, com seu caso sendo analisado pelo Superior Tribunal Militar (STM) no próximo ano. Em conversas confidenciais, oficiais mencionam que, entre todos os condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) envolvidos na conspiração golpista de 8 de Janeiro, Braga Netto é o que mais perdeu prestígio dentro das Forças Armadas, devido à sua incitação para que subordinados atacassem a liderança militar.
Braga Netto, que serviu como ministro da Defesa e da Casa Civil, e foi candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro em 2022, completa este mês um ano de detenção. Desde dezembro de 2024, ele encontra-se preso na 1.ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro — onde atuou como interventor na segurança pública durante o governo de Michel Temer — sob a acusação de tentar obstruir investigações. Inicialmente, sua prisão era preventiva, mas após ser condenado pelo STF a 26 anos em regime fechado, passou a ser definitiva.
Durante as investigações, a Polícia Federal encontrou mensagens nas quais Braga Netto incitava um ataque contra o então comandante do Exército, Freire Gomes, que se opôs ao golpe, sugerindo que sua “cabeça deveria ser oferecida aos leões”. Em uma dessas conversas, ele se referiu a Freire Gomes de maneira pejorativa. Além disso, foi revelado que Braga Netto instruiu um coronel a criticar o então comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, por não se unir ao plano de desestabilização da democracia.
Em 15 de dezembro de 2022, após a derrota de Bolsonaro nas eleições, Braga Netto orientou o coronel reformado Ailton Barros a intensificar as críticas contra Baptista Júnior nas redes sociais. Na mensagem, ele expressou indignação pela situação do povo e acusou o comandante de traição, instruindo Barros a “infernizar a vida dele e da família”. Na mesma comunicação, o general também pediu que elogiassem o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, que, em setembro, foi condenado a 24 anos de prisão pela Primeira Turma do STF por sua participação na tentativa de ruptura democrática no Brasil. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)