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Impressões fossilizadas na Bolívia revelam o modo de vida dos dinossauros

AP Photo/Juan Karita

Um vasto conjunto de impressões fossilizadas descoberto no coração da Bolívia está proporcionando aos cientistas uma visão mais clara sobre o modo de vida e o comportamento dos dinossauros, pouco antes de sua extinção. No total, foram registradas 16,6 mil pegadas, configurando o maior número já documentado em um único local no planeta.

Essas marcas foram localizadas no Parque Nacional Torotoro, especificamente na área conhecida como Carreras Pampa. O estudo foi publicado na última sexta-feira (26/12) na revista científica PLOS One e analisou vestígios que datam de aproximadamente 66 milhões de anos, no final do período Cretáceo, pouco antes da extinção dos dinossauros.

Ao contrário dos fósseis tradicionais, as pegadas oferecem uma visão em tempo real do comportamento desses animais: como se moviam, corriam, mudavam de direção e até entravam na água. Os pesquisadores mapearam um total de 1.321 trilhas contínuas, formadas por sequências de passos, além de centenas de marcas isoladas.

A maioria das impressões pertence a dinossauros terópodes, um grupo que inclui espécies carnívoras que se locomoviam sobre duas pernas e possuíam três dedos. As pegadas variam significativamente em tamanho, indicando que tanto jovens quanto adultos circulavam pela mesma área.

Entre os achados mais intrigantes estão marcas que sugerem movimentos aquáticos. Em algumas trilhas, as pegadas aparecem incompletas ou distantes, sugerindo que os dinossauros possivelmente nadavam ou caminhavam em águas rasas, tocando o fundo com os pés.

Além disso, foram encontrados rastros de cauda, deixados quando esses animais passaram por solo úmido. Esses registros ajudam a evidenciar que, em determinados momentos, a cauda tocava o chão — algo que raramente se observa em fósseis.

Muitas trilhas também apresentam curvas e mudanças de direção, sugerindo que os dinossauros não apenas atravessavam a área, mas também interagiam com o ambiente, parando, acelerando e ajustando seus movimentos.

A orientação das pegadas indica que muitos dinossauros se moviam em direções semelhantes, reforçando a hipótese de que a região era uma margem de lago ou uma área costeira. Os cientistas acreditam que o local funcionava como um corredor natural, utilizado repetidamente por diferentes animais em busca de água ou para se deslocar pelo território.

Esse padrão levou os pesquisadores a compararem a área a uma espécie de “rodovia dos dinossauros”, onde várias espécies transitavam ao longo do tempo.

Apesar da enorme quantidade de pegadas, quase não foram encontrados ossos de dinossauros na região. De acordo com os cientistas, isso ocorre porque as condições ambientais favoreceram a preservação das marcas no solo, mas não os restos dos animais.

O sítio de Carreras Pampa enfrenta ameaças, como atividades humanas e o desgaste natural das rochas. Assim, os pesquisadores ressaltam a importância da preservação do parque, visto que o local abriga um dos registros mais completos do comportamento dos dinossauros já descobertos.

Cada pegada preservada ali é como uma fotografia do passado — juntas, elas contribuem para a reconstrução de um capítulo essencial da história da vida na Terra.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade