A polícia paraguaia prendeu o ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, que foi condenado por envolvimento em um golpe de Estado. Ele havia rompido sua tornozeleira eletrônica, cruzado a fronteira e tentava embarcar para El Salvador.
A fuga foi meticulosamente planejada. Silvinei alterou seu visual e usou um passaporte pertencente a um cidadão paraguaio. No entanto, agentes no aeroporto de Assunção rapidamente perceberam que o passageiro não era o verdadeiro portador do documento, Júlio Eduardo.
Essa operação teve início na véspera de Natal. A Polícia Federal divulgou informações em um relatório para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. As gravações das câmeras de segurança de um condomínio em São José, na Grande Florianópolis, mostraram Silvinei utilizando um veículo que possivelmente era alugado. Ele permaneceu no edifício até as 19h22 do dia 24, momento em que carregou o porta-malas do carro com várias bolsas e, posteriormente, colocou mais itens no banco traseiro, incluindo ração e sacos de tapete higiênico para cães. Ele ainda saiu do local conduzindo um cachorro que parecia ser da raça pitbull.
De acordo com o relatório, Silvinei desativou sua tornozeleira eletrônica, que usava desde agosto de 2024. Na madrugada do dia 25, por volta das 3h, o dispositivo perdeu o sinal de GPS, e, ao redor das 13h do mesmo dia, o sinal de GPRS também foi interrompido, provavelmente devido ao esgotamento da bateria.
Na noite de 25, agentes da PF foram ao prédio de Silvinei assim que a falha na tornozeleira foi detectada, emitindo alertas para as fronteiras do Brasil. A rota de fuga de Silvinei começou em São José e o levou até Assunção, com planos de seguir para El Salvador, fazendo uma escala no Panamá.
Quando os policiais paraguaios identificaram que o passaporte não era legítimo, realizaram uma verificação das impressões digitais, que não coincidiram. Ele foi imediatamente preso por uso de documentação falsa.
Além disso, Silvinei tentou enganar as autoridades apresentando uma declaração que afirmava que ele não podia falar ou ouvir devido a uma grave condição médica relacionada a um câncer no cérebro. No documento, ele alegava que sua viagem a El Salvador era exclusivamente para tratamento médico e que não tinha data para retornar, o que justifica a passagem apenas de ida.
Com um curativo no pescoço, uma foto tirada pelos agentes paraguaios mostrou que não havia ferimentos visíveis. Uma pinta na região ajudou os policiais a confirmarem a verdadeira identidade de Silvinei. Sem alternativas, ele acabou confessando seu plano.
Jorge Kronawetter, diretor de migração do Paraguai, relatou que os agentes rapidamente perceberam que a pessoa na imigração não correspondia ao passaporte apresentado. “Num primeiro momento, ele negava, afirmando ser realmente a pessoa identificada no passaporte. Depois, tentou apresentar um documento alegando estar com uma enfermidade grave”, contou o diretor.
Recentemente, a Primeira Turma do STF condenou Silvinei Vasques a 24 anos de prisão por sua participação na trama golpista. Os ministros concluíram que ele havia ordenado a instalação de barreiras da PRF no Nordeste durante o segundo turno das eleições, com a intenção de dificultar o acesso dos eleitores que apoiavam Lula.
Silvinei tentou deixar o Brasil antes de esgotar os recursos legais que tinha disponíveis no STF. Assim que soube da tentativa de fuga para evitar a pena por golpe de Estado, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão preventiva.
Na noite de sexta-feira (26), a polícia paraguaia levou Silvinei Vasques até um ponto de controle imigratório na margem paraguaia da Ponte da Amizade. Ele estava algemado e com um capuz na cabeça, um procedimento comum em casos de expulsão do país. Nesse local, Silvinei será entregue a agentes da Polícia Federal brasileira. O advogado de Silvinei ainda não forneceu informações sobre a prisão.