A tornozeleira eletrônica utilizada por Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), teve sua transmissão de localização interrompida na madrugada do Natal, poucas horas antes de sua detenção no Paraguai, onde foi encontrado com um passaporte falsificado. Segundo informações da Polícia Federal (PF), o equipamento começou a apresentar problemas na manhã de quinta-feira, 25, e deixou de enviar dados de geolocalização a partir da tarde daquele dia. A PF comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a falha foi causada pela falta de bateria na tornozeleira.
As autoridades afirmam que Silvinei tinha planos de fugir para El Salvador. No início deste mês, ele foi condenado pelo STF a 24 anos de prisão por sua participação em uma tentativa de golpe. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que o ex-diretor da PRF atuou para dificultar o deslocamento de eleitores em áreas onde Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato, liderava nas intenções de voto em relação a Jair Bolsonaro.
Em um relatório enviado ao ministro do STF Alexandre de Moraes, a PF informou que Silvinei deixou sua casa na noite de quarta-feira, 24, véspera de Natal, antes que a tornozeleira parasse de funcionar. As últimas imagens disponíveis mostram o ex-dirigente da PRF saindo do condomínio em São José (SC) por volta das 19h22 daquele dia. Pouco antes, ele carregou um carro alugado com sacolas, rações e tapetes higiênicos para animais, além de embarcar um cachorro da raça pitbull. Após isso, não há mais registros de seus movimentos.
A visita de policiais ao local ocorreu somente no dia seguinte, após os primeiros sinais de falha no monitoramento eletrônico. De acordo com a PF, Silvinei já não estava mais em sua residência. Antes da chegada dos agentes federais, uma equipe da Polícia Penal de Santa Catarina também tentou localizá-lo. Os policiais estaduais estiveram no condomínio entre 20h10 e 20h25, mas não obtiveram sucesso, conforme o relatório da PF enviado ao STF. “Foram até o apartamento nº 706, Bloco A, mas ninguém atendeu. Também conferiram a vaga de garagem nº 333 e a encontraram vazia.”
A Polícia Federal foi acionada às 23h do dia de Natal. Os agentes foram até a residência de Silvinei e realizaram os mesmos procedimentos da polícia catarinense, mas também não conseguiram localizá-lo. Ao STF, a PF informou que ainda não é possível determinar os motivos da falha da tornozeleira eletrônica ou confirmar se o equipamento permaneceu no apartamento de Silvinei Vasques.
O ministro Alexandre de Moraes considerou que os dados fornecidos pela Polícia Federal sugerem uma tentativa de fuga do país para evitar as medidas judiciais. Em uma decisão proferida na última sexta-feira, Moraes decretou a prisão preventiva do ex-diretor da PRF. “As diligências realizadas pela Polícia Federal no endereço do réu Silvinei Vasques indicam que sua fuga foi efetivada”, destacou o ministro. “O réu não estava em seu apartamento no momento da diligência, violando a medida cautelar de recolhimento domiciliar noturno; utilizou um veículo alugado; esteve em sua residência até as 19h22 do dia 24/12/2025, sem ser visto posteriormente; e carregou o carro alugado com seu animal de estimação e materiais para transporte de cachorro”, acrescentou Moraes.