O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi detido no aeroporto de Assunção enquanto tentava embarcar para El Salvador. Durante a abordagem, ele apresentou um documento às autoridades paraguaias, onde afirmava ser portador de câncer na cabeça e, por isso, incapaz de se comunicar verbalmente.
No texto intitulado “Declaração Pessoal para Autoridades Aeroportuárias”, Silvinei declarou: “Eu, a pessoa que assina este documento, comunico que não sou capaz de falar ou ouvir, em razão de uma condição médica séria.” Ele detalhou que foi diagnosticado com Glioblastoma Multiforme – Grau IV, um tipo agressivo de câncer cerebral que, segundo ele, o impede de entender instruções orais e de se expressar verbalmente, justificando assim sua incapacidade de responder a perguntas de forma falada.
Silvinei havia rompido sua tornozeleira eletrônica na madrugada do dia 25 de dezembro, horas antes de ser capturado no Paraguai. Ele havia deixado o Brasil após ser condenado a 24 anos de prisão por sua participação em tentativas de golpe de Estado nos anos de 2022 e 2023, com o veredito sendo proferido em dezembro pelo STF.
Na declaração, o ex-diretor mencionava que sua viagem tinha como finalidade a realização de um tratamento médico em El Salvador. “Atualmente, estou viajando para submeter-me a um procedimento de radiocirurgia, considerado moderno e eficaz para prolongar a vida, conforme orientação médica,” dizia o documento.
Sobre sua fuga, a Polícia Federal (PF) informou que Silvinei deixou sua casa em Santa Catarina na noite do dia 24 de dezembro, antes que a tornozeleira parasse de funcionar. As últimas imagens dele indicavam que havia saído do condomínio em São José (SC) por volta das 19h22, após carregar um carro alugado com sacolas e itens para seu cachorro de raça pitbull.
Os policiais federais só compareceram ao local no dia seguinte, já que a tornozeleira apresentou falhas. Quando chegaram, Silvinei já havia desaparecido. Antes da PF, uma equipe da Polícia Penal de Santa Catarina havia tentado encontrá-lo, mas sem sucesso.
Abaixo, segue a tradução livre da declaração que Silvinei Vasques apresentou:
“DECLARAÇÃO PESSOAL PARA AUTORIDADES AEROPORTUÁRIAS
Eu, a pessoa que apresenta este documento, informo que não falo nem ouço, devido a uma condição médica grave. Tenho diagnóstico de Glioblastoma Multiforme – Grau IV, câncer localizado na cabeça (cérebro), uma doença oncológica de prognóstico severo, pelo que não posso me comunicar verbalmente nem compreender instruções orais. Por esta razão, não consigo responder perguntas de forma falada. Se necessário, a comunicação pode ser feita por escrito.
Além disso, possuo autorização médica para viajar, assim como receitas e medicações que utilizo continuamente, as quais estão comigo durante a viagem. Em dezembro de 2025, realizei tratamento de radioterapia e quimioterapia em Foz do Iguaçu, Brasil, o que causou pequenas lesões na região craniana, resultado da exposição excessiva à radiação.
Atualmente, estou me deslocando para receber tratamento médico de radiocirurgia, um procedimento moderno e eficaz que pode ajudar a prolongar minha vida, segundo orientação médica especializada. Contudo, estou completamente lúcido, consciente e em condições clínicas adequadas para realizar a viagem, assim como para atender a quaisquer solicitações das autoridades competentes, dentro das minhas limitações de comunicação.
Estou viajando de Assunção, Paraguai, para San Salvador, El Salvador, em um voo da COPA Airlines, exclusivamente para receber o tratamento médico mencionado. A data do meu retorno ainda não está definida, pois dependerá de exames médicos adicionais e possível internação hospitalar necessária para o procedimento.
Apresento esta declaração para o conhecimento das autoridades competentes e peço respeitosamente sua compreensão e colaboração.”