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Administração Trump critica sanções chinesas a empresas americanas por vendas de armas a Taiwan

1 de 2 Taiwan testa sistema de lançamento de mísseis fornecido pelos EUA — Foto: REUTERS / AGÊNCIA DE NOTÍCIAS MILITAR DE TAIWAN

Nesta sexta-feira (26), o governo de Donald Trump fez um apelo à China para que interrompa sua pressão militar, diplomática e econômica sobre Taiwan e busque o diálogo. O Departamento de Estado dos EUA expressou sua forte oposição à decisão da China de impor sanções contra empresas americanas.

Pequim sancionou 10 pessoas e 20 empresas do setor de Defesa em resposta à venda de armas para Taiwan, que considera parte de seu território. As sanções bloqueiam qualquer ativo que essas entidades possuam na China e proíbem negociações com elas por organizações e indivíduos locais, conforme comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

A autorização para a venda de US$ 11,1 bilhões em armamentos dos EUA a Taiwan foi anunciada há uma semana. Após a celebração do governo taiwanês pela decisão, o Ministério da Defesa da China reagiu prometendo “medidas enérgicas para proteger a soberania nacional e a integridade territorial”, além de intensificar o treinamento de suas Forças Armadas.

O ministério também pediu que os EUA “cessassem imediatamente a venda de armas a Taiwan” e cumprissem seu compromisso de não apoiar grupos “independentistas da ilha”. A declaração ainda criticou os “separatistas taiwaneses” por supostamente enriquecerem os traficantes de armas americanos à custa do povo.

Esse foi o segundo anúncio de venda de armas a Taiwan sob a administração Trump e ocorre em um contexto de crescente pressão militar e diplomática da China sobre a ilha, que rejeita as reivindicações de soberania de Pequim. O pacote de armamentos inclui sistemas de foguetes Himars, obuseiros, mísseis antitanque Javelin, drones de ataque Altius e peças para outras armas, conforme divulgado pelo Ministério da Defesa de Taiwan.

Os EUA reafirmaram seu compromisso em ajudar Taiwan a manter capacidades de autodefesa adequadas e a desenvolver um forte poder de dissuasão, essencial para a paz e estabilidade na região.

A crítica americana se intensificou em relação aos recentes exercícios militares da China ao redor de Taiwan, que o Departamento de Estado caracterizou como “agressivos”. Fontes de segurança taiwanesas relataram a presença de mais de 10 navios de guerra chineses e atividades de “assédio” por parte da Guarda Costeira da China durante as manobras.

Para Pequim, Taiwan é uma província rebelde que deve ser reintegrada. Por outro lado, o governo taiwanês se considera um Estado independente, com sua própria Constituição, e reivindica ser o legítimo governo da China no exílio.

Os Estados Unidos manifestaram apoio a Taiwan e afirmaram estar monitorando a atividade militar na região. Em um comunicado recente, o Departamento de Estado destacou que “as ações militares agressivas e a retórica da China apenas aumentam as tensões”. O governo americano reafirmou seu compromisso com aliados e parceiros, incluindo Taiwan, diante das tácticas intimidatórias da China.

A disputa entre China e Taiwan remonta à queda da dinastia imperial chinesa e à criação da República da China em 1912, que levou a uma guerra civil entre nacionalistas e comunistas. Após a vitória comunista em 1949, os derrotados se refugiaram em Taiwan, estabelecendo um governo que, durante décadas, foi uma ditadura sob o Kuomintang (KMT), até a transição para a democracia nos anos 1980. Hoje, Taiwan possui um governo próprio e forças armadas, apesar de não ser reconhecida como um Estado soberano pela maioria das nações.

O “Consenso de 1992” estabelece que existe apenas uma China, mas cada lado tem interpretações diferentes; enquanto o KMT considera Taiwan parte desse território, o governo chinês defende a reintegração da ilha ao continente. A crescente pressão de Pequim tem gerado temores de um possível conflito, especialmente se a situação política de Taiwan mudar. Nos últimos anos, a tensão aumentou com o estreitamento das relações da ilha com os Estados Unidos durante a gestão de Joe Biden, levando o Exército Chinês a realizar diversos exercícios militares como forma de demonstração de força.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade