O encerramento do ano é frequentemente repleto de reuniões com amigos, familiares e colegas de trabalho, além de viagens, noites mais curtas e mudanças de rotina. Esse cenário propicia a disseminação de vírus, o que pode temporariamente comprometer o sistema imunológico e aumentar o risco de gripes, resfriados e outras infecções durante as celebrações.
De acordo com a imunologista Lucia Abel Awad, pesquisadora associada do departamento de Imunologia do ICB-USP, a combinação de privação de sono, alimentação inadequada e consumo excessivo de álcool impacta diretamente a eficácia das células de defesa do corpo.
Ela salienta que a falta de um sono reparador diminui a atividade das células NK, que são essenciais no combate a vírus, além de aumentar processos inflamatórios e reduzir a produção de anticorpos. “Mudanças no ritmo circadiano, que são comuns em viagens e em noites em claro, também prejudicam o desempenho do sistema imunológico”, afirma.
Quando se trata de viagens de avião, os riscos se intensificam. “O ar seco e a proximidade com outras pessoas favorecem a exposição a microrganismos”, ressalta.
A alimentação e o consumo de álcool têm um efeito significativo na imunidade. O nutrólogo Márcio Passos, que atua em São Paulo, explica que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e de alimentos ultraprocessados sobrecarrega o organismo.
Ele observa que esse ciclo gera efeitos negativos: “Quanto mais inflamado o corpo, maior a diminuição da imunidade, o que propicia infecções e intensifica a sensação de fadiga e inchaço”, diz.
Márcio enfatiza que vitaminas e suplementos podem ser benéficos, mas devem ser utilizados com cautela. “A suplementação deve ser personalizada, levando em conta uma avaliação clínica e exames específicos”, aconselha.
O estresse típico dessa época também contribui. Lucia aponta que a carga emocional comum no fim do ano eleva a liberação de cortisol, um hormônio que, em níveis altos e prolongados, inibe a atuação das células de defesa.
Sobre a utilização de vitaminas, a imunologista destaca que elas são fundamentais, porém devem ser utilizadas com critério. “Vitamina D, zinco, vitamina C, ferro e B12 são essenciais para o funcionamento adequado do sistema imunológico. Em períodos de maior demanda, como estresse intenso ou noites mal dormidas, a suplementação pode ser vantajosa, desde que realizada de forma personalizada”, orienta.
Apesar dos desafios, hábitos simples podem ajudar a enfrentar esse período com mais proteção. Lucia afirma que não é necessário buscar a perfeição. “A regularidade é mais importante que a rigidez. Dormir melhor antes e depois de eventos faz toda a diferença, pois o sono é o ‘suplemento’ mais poderoso que existe”, diz.
Ela também recomenda manter uma hidratação adequada, alternar o consumo de álcool com água, ter refeições balanceadas na maior parte dos dias e garantir a ingestão diária de proteínas, frutas, legumes e verduras. “Um prato bem equilibrado oferece mais proteção do que qualquer cápsula”, afirma.
Outras estratégias incluem a exposição à luz solar pela manhã, a prática de atividades leves e regulares, como caminhadas, e pausas durante o dia para reduzir o estresse. “O corpo não precisa de longas férias para se proteger, mas de pausas frequentes”, conclui.
Para a especialista, o segredo está no equilíbrio. “Se a pessoa mantém bons hábitos em 70% ou 80% do tempo, o organismo consegue lidar bem com os excessos ocasionais do fim de ano”, finaliza.
Fique por dentro das novidades em Saúde e Ciência no seu WhatsApp! Acesse o canal de notícias do Metrópoles. Para mais informações sobre ciência e nutrição, confira todas as reportagens de Saúde.