A administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antecipa uma corrida eleitoral desafiadora para 2026. Apesar das esperanças em torno da reeleição do petista, assessores acreditam que o pleito terá um clima de intensa polarização, refletindo a dinâmica política brasileira dos últimos tempos.
Para alcançar a vitória em seu quarto mandato, o Palácio do Planalto já delineou uma série de estratégias. No primeiro semestre do ano eleitoral, segundo fontes, o governo se concentrará em promover iniciativas com forte apelo social, ao mesmo tempo em que destacará as realizações da gestão petista. Essas ações também guiarão o tom da campanha.
Um exemplo notável é a proposta de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, uma promessa de Lula que foi cumprida no final de novembro, após aprovação unânime na Câmara e no Senado. Esta medida já começa a ser vista como uma bandeira para 2026.
O presidente continuará a enfatizar a “justiça tributária”, uma vez que a nova legislação compensa a perda de arrecadação com a taxa de 10% sobre os chamados “super-ricos”, que são aqueles que ganham acima de R$ 600 mil anualmente. Além disso, o governo pretende adotar propostas como a tarifa zero no transporte urbano, um tema que ganhará destaque e que interessa diretamente a Lula.
“Hoje, o direito ao tempo é o mais urgente. Não é justo que alguém tenha que trabalhar seis dias por semana. O fim da escala 6×1 é uma demanda popular que devemos ouvir e transformar em realidade”, afirmou Lula.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que sugere a mudança para uma escala de trabalho 5×2 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 10 de dezembro. Agora, o texto precisa ser discutido em plenário, mas ainda não há uma data definida para isso.
Conforme declarado por Boulos, a revisão da jornada de trabalho será uma prioridade para o presidente em 2026, com a expectativa de que seja aprovada no primeiro semestre.
Com a previsão de uma disputa acirrada entre Lula e um candidato indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), membros do governo acreditam que a escolha do representante da direita não mudará significativamente o panorama. Qualquer candidato desse espectro estaria, de certa forma, ligado a Bolsonaro, que continua a ser uma figura influente e central da direita.
Internamente, a avaliação é de que não há espaço para uma candidatura que se distancie de Bolsonaro. No início de dezembro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi oficializado como candidato do partido para 2026, em uma decisão confirmada por uma carta do ex-presidente, lida por Flávio em uma coletiva de imprensa.
Analistas do governo consideram que Flávio, que atualmente está em desvantagem nas pesquisas, pode facilitar uma reeleição para Lula em comparação a um adversário como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Isso se deve ao fato de que Flávio pode encontrar dificuldades em conquistar o apoio do Centrão e do eleitorado moderado devido à sua ligação familiar com Bolsonaro.
Conforme a pesquisa do Paraná Pesquisas divulgada em 26 de dezembro, Lula lidera todos os cenários de primeiro e segundo turnos, com uma vantagem de aproximadamente dez pontos percentuais sobre Flávio na simulação do primeiro turno. No segundo turno, os dois estão em um empate técnico, mas Lula possui uma ligeira vantagem, com 44,1% contra 41% do senador.
Tarcísio é visto como o candidato que poderia unificar a direita e atrair eleitores do centro, mas até agora não desistiu de sua tentativa de reeleição para o Palácio dos Bandeirantes. Ele é considerado o concorrente mais forte contra Lula no segundo turno, com uma diferença de 1,5 ponto percentual — 44% para Lula contra 42,5% para Tarcísio.
Além disso, assessores do governo sinalizam que, com Bolsonaro em uma posição de fraqueza, o ex-presidente pode reconsiderar sua estratégia dependendo das alianças formadas até a oficialização das candidaturas no próximo ano.