O recente empréstimo de Endrick ao Lyon, da França, oficializado nesta semana, tem sido analisado pela imprensa espanhola como uma jogada arriscada. De acordo com o jornal Marca, nenhum atacante que foi emprestado pelo Real Madrid nos últimos anos conseguiu retornar com uma posição consolidada no time principal, o que transforma o objetivo do jovem brasileiro de 19 anos em uma verdadeira “missão impossível”.
Endrick, que foi cedido até 30 de junho sem opção de compra, deixou o Real Madrid com a intenção de ganhar experiência, se firmar no futebol europeu e estar bem preparado para a Copa do Mundo. No entanto, desde sua chegada ao clube espanhol, as oportunidades têm sido escassas, tanto sob o comando de Carlo Ancelotti quanto com Xabi Alonso, em um time que depende fortemente de Kylian Mbappé para suas jogadas ofensivas.
Nos últimos anos, atacantes como Álvaro Rodríguez, Latasa e Borja Mayoral foram emprestados com a expectativa de um retorno fortalecido, mas acabaram seguindo caminhos definitivos fora do Santiago Bernabéu. O padrão observado indica que esses empréstimos muitas vezes servem apenas como uma fase intermediária antes da saída permanente, em vez de uma ponte de volta ao clube.
Casos notáveis ajudam a ilustrar essa dificuldade:
* Luka Jovic: adquirido em 2019 por 63 milhões de euros após se destacar no Eintracht Frankfurt, ele marcou apenas dois gols pelo Real Madrid. Após um empréstimo de volta ao clube alemão, não conseguiu se reerguer e foi vendido à Fiorentina.
* Mariano Díaz: após anotar 21 gols pelo Lyon, retornou ao Real Madrid em 2018 com status de goleador. No entanto, ao longo de cinco temporadas, participou de apenas 70 jogos e marcou sete gols, tornando-se um exemplo de reintegração malsucedida.
Outros nomes, como Raúl de Tomás, Soldado e Portillo, também não conseguiram se estabelecer após seus empréstimos, repetindo o ciclo de saídas definitivas. Até mesmo jogadores renomados não escaparam dessa dificuldade. Morientes, bicampeão da Champions League pelo Real Madrid, foi emprestado ao Monaco após a chegada de Ronaldo e, ao retornar, teve um papel secundário até ser negociado com o Liverpool. O brasileiro Júlio Baptista enfrentou situação semelhante após sua passagem pelo Arsenal.
O caso mais emblemático é o de Samuel Eto’o, que, sem oportunidades no Real Madrid, viveu uma sequência de empréstimos e acabou vendido ao Mallorca. Posteriormente, transferiu-se para o Barcelona, onde construiu uma carreira histórica, um erro grave na avaliação do clube merengue.
Na história mais remota, existem algumas exceções. Sebastián Losada, emprestado ao Espanyol na década de 1980, voltou ao Real Madrid e permaneceu por três temporadas, ainda que como uma opção secundária. O exemplo de maior sucesso é o de Grosso, que foi emprestado ao Atlético de Madrid nos anos 1960 e, ao retornar, se tornou o camisa 9 da era “Yé-yé”, conquistando títulos nacionais e europeus.