O chefe do Executivo de Diadema, Taka Yamauchi, do MDB, foi sentenciado pela Justiça Eleitoral paulista a seis meses e 25 dias de detenção, em regime aberto, por difamação e injúria eleitoral contra o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, apelidado de Marcola. A decisão ainda pode ser contestada.
Em sua declaração, Taka Yamauchi reconheceu a sentença, ressaltando que esta foi proferida em primeira instância e está sujeita a recursos. “O prefeito reafirma seu respeito pelas instituições e pela Justiça, acreditando que os esclarecimentos serão devidamente considerados pelas instâncias superiores, no pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Neste momento, não haverá comentários adicionais sobre o mérito do processo”, afirmou.
Na decisão, a juíza eleitoral Clarissa Rodrigues Alves destacou que Taka Yamauchi desrespeitou a honra e o decoro de Marco Aurélio ao se referir a ele como “Marcola” e ao vinculá-lo ao crime organizado durante um debate eleitoral em Diadema. Durante a discussão, ao direcionar uma pergunta ao então candidato à prefeitura José de Filippi Júnior, do PT, Yamauchi alegou que “o tal de Marcola, lá de Brasília”, teria enviado dinheiro irregularmente para a cidade, afirmando que esses recursos “não chegaram à população”.
“O Brasil enfrenta há tempos os problemas relacionados ao crime organizado, e o tal de Marcola, de Brasília, enviou dinheiro para Diadema de maneira irregular, conforme noticiado pela mídia. E o pior é que esse dinheiro não chegou até o povo. A pergunta é simples, candidato, cadê o dinheiro? ‘Tá’ vindo de táxi?”, declarou Yamauchi na ocasião.
A juíza esclareceu que, ao afirmar durante o debate que o Brasil sofre com o crime organizado e, em seguida, usar “inclusive” para relacionar essa afirmação a Marco Aurélio, o prefeito difamou o assessor e comprometeu sua dignidade. É amplamente conhecido que Marcos Willians Herbas Camacho, que também é chamado de Marcola, é um dos líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), e não o assessor de Lula.
“O réu sabia que o apelido do ofendido, Marco Aurélio, era ‘Marcola’ e, ao associar seu nome ao crime organizado por suposta má utilização de verbas, assumiu o risco de ofender a honra objetiva e subjetiva da vítima”, escreveu Clarissa. A magistrada também enfatizou que “não é preciso ser um intérprete habilidoso para perceber que a frase, no contexto eleitoral, teve a intenção de prejudicar a reputação do outro candidato”.