Em seu tradicional discurso de Natal, veiculado nesta quinta-feira (25), o rei Charles III enfatizou a importância da “compaixão e reconciliação” em tempos de divisão global. O monarca, aos 77 anos, gravou sua mensagem na emblemática Abadia de Westminster, em Londres, um local de grande significado para a monarquia britânica.
Ele deu início à sua fala mencionando o “momento histórico de unidade espiritual” que sua visita ao Vaticano em outubro representou, quando orou ao lado do papa Leão XIV, um ato inédito desde o cisma anglicano no século XVI. O discurso também abordou o Jubileu da Igreja Católica, celebrado sob o tema “Peregrinos da esperança”, refletindo o papel de Charles como governador supremo da Igreja da Inglaterra.
“Embora a palavra peregrinação seja menos comum nos dias de hoje, ela carrega um significado especial em nosso mundo contemporâneo, especialmente no Natal: trata-se de avançar em direção ao futuro, enquanto também olhamos para o passado em busca de lições”, afirmou.
O rei aproveitou a oportunidade para recordar a Segunda Guerra Mundial, já que 2025 marcará o 80º aniversário do fim do conflito. Ele ressaltou: “A coragem e o sacrifício dos nossos militares, bem como a união das comunidades naquela época, trazem uma mensagem que permanece relevante para todos nós”.
“Todos esses princípios moldaram nossa nação e a Commonwealth”, acrescentou. O monarca descreveu o momento atual como “incerto” e observou que “o mundo parece girar cada vez mais rápido”.
“Com a diversidade de nossas comunidades, podemos encontrar a força necessária para assegurar que o bem prevaleça sobre o mal. Parece que devemos valorizar os princípios de compaixão e reconciliação, tal como nosso Senhor viveu e morreu”, comentou, referindo-se ao ataque a uma sinagoga em Manchester, que resultou em duas mortes no início de outubro.
“Quando me encontro com pessoas de diferentes crenças, considero enriquecedor perceber o que temos em comum: um desejo compartilhado por paz e um profundo respeito pela vida em todas as suas formas”, disse o rei, que sempre demonstrou um forte compromisso com o diálogo inter-religioso.
Charles III não fez menção ao tratamento de câncer que receberá em 2026, nem ao irmão Andrew, de quem retirou todos os títulos reais em novembro.