Alexandre Mattos, ex-diretor de futebol do Cruzeiro e atualmente no Santos, decidiu revelar os bastidores da divisão que ocorreu no elenco da Raposa em 2024, após a chegada de reforços significativos durante a janela de transferências de junho.
Como CEO do futebol celeste de maio de 2024 até junho de 2025, durante o início da gestão de Pedro Lourenço na SAF do Cruzeiro, Mattos abordou o assunto em uma entrevista ao podcast Denílson Show. “O Cruzeiro estava passando por um processo de reestruturação. Muitos dos jogadores que ajudaram a conquistar títulos e a tirar o clube da Série B permaneceram. Quando Pedrinho e eu assumimos em maio de 2024, já havia um grupo consolidado, mas a torcida exigia novos investimentos. Havia a expectativa de que Pedrinho injetasse recursos no clube”, explicou.
Ele destacou que a primeira janela de transferências sob nova administração foi bastante ousada. “Conversamos e decidimos que era necessário contratar jogadores, caso contrário, todo o entusiasmo poderia se dissipar. Entre maio e junho, trouxemos nomes como Matheus Henrique, Walace, Kaio Jorge e Cássio”, detalhou Mattos. Contudo, foi nesse contexto que surgiram tensões internas. “Começaram a surgir desentendimentos no grupo. Não é uma questão de vaidade, mas a comparação começou a aparecer nas redes sociais, com comentários do tipo ‘fulano está ganhando uma fortuna’. Os jogadores que já estavam bem se questionaram: ‘E nós, o que acontece?’ O time estava jogando bem, e de repente novos atletas foram adicionados. Isso gerou a necessidade de mudanças na escalação, e a pressão aumentou: ‘Ah, porque o Pedrinho e o Mattos trouxeram’”, acrescentou o ex-dirigente.
Na mesma época, um áudio polêmico atribuído a Pedro Lourenço circulou, no qual ele supostamente pressionava o técnico Fernando Seabra a incluir os novos contratados, até ameaçando sua demissão. Quando questionado sobre a situação, Lourenço minimizou o episódio, alegando que era uma tentativa de tumultuar o clube. Na defesa de seu ex-chefe, Mattos reconheceu que a situação era conturbada, mas também indicou os riscos envolvidos. “É preciso colocar os jogadores para atuar; se você contrata alguém como o Denílson, do Betis, por R$ 32 milhões, não há como deixá-lo fora. Caso contrário, o time começa a oscilar e logo surgem críticas: ‘Ah, mas colocaram os jogadores do Pedrinho e do Mattos’”, comentou.
Após a entrada da maioria dos novos reforços, o desempenho do Cruzeiro caiu, resultando na demissão de Fernando Seabra. Segundo Mattos, a chegada de Fernando Diniz foi crucial para resolver as tensões no grupo. “Quando Diniz chegou, em apenas 48 horas, ele percebeu a situação e disse: ‘Precisamos corrigir esse clima, está tudo muito tenso aqui’. Ele fez um trabalho excepcional, e quase conquistamos a Sul-Americana por conta disso. Ele foi fundamental para unir o time”, concluiu, mencionando que o Cruzeiro chegou à final do torneio continental, mas foi superado pelo Racing.