Em uma transmissão ao vivo para televisão e rádio, realizada na quarta-feira (24), o presidente Lula (PT) ressaltou a ideia de uma “recuperação” do Brasil frente aos desafios econômicos impostos pelos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump.
Sem mencionar nomes específicos, o líder petista enfatizou que o Brasil conseguiu superar uma das piores crises diplomáticas com a Casa Branca, causada por aqueles que se opuseram ao país. Segundo Lula, a nação voltou a ser respeitada no cenário internacional, citando progressos nas tratativas com o governo Trump.
As relações entre Brasil e Estados Unidos se deterioraram ao longo de 2025, especialmente após o retorno de Trump à presidência, ao vencer Kamala Harris, a candidata democrata. O republicano havia criticado o Brasil, alegando que o Judiciário e o Legislativo promoviam uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que ainda não havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Do lado brasileiro, Lula se posicionou em defesa do país, condenando o que chamou de “sanções injustas” e “ataques à soberania”. Enquanto Trump afirmava que Lula poderia contatá-lo “a qualquer momento”, o governo brasileiro relatava dificuldades em se comunicar com os representantes dos Estados Unidos.
A situação começou a mudar após 23 de setembro, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, quando Trump mencionou um breve encontro com Lula nos bastidores do evento. No mês seguinte, os líderes se falaram por telefone pela primeira vez e se encontraram pessoalmente na Malásia. Em novembro, os Estados Unidos decidiram suspender as tarifas adicionais que afetavam diversos produtos brasileiros. Trump declarou que aprecia Lula e aguarda “ansiosamente” um novo encontro com o presidente brasileiro.
Além de abordar a questão das tarifas, Lula também falou sobre outros assuntos em seu discurso, destacando o compromisso do governo no combate à violência contra a mulher e prometendo “liderar um grande esforço nacional” em prol dessa causa. O presidente ainda afirmou que sua administração continuará a lutar contra os “privilégios de poucos para assegurar os direitos de muitos, incluindo o direito ao tempo”. De acordo com Lula, a eliminação da jornada de trabalho 6×1 (seis dias trabalhados e um de descanso) será uma meta a ser alcançada, considerando ser uma “demanda do povo” que o governo deve transformar em realidade.