Fábio Porchat, 42 anos, atraiu críticas na véspera de Natal após gravar um vídeo na embaixada do Brasil em Roma, satirizando a polêmica em torno de um comercial das Havaianas — que gerou reações entre políticos de direita. Este não é o primeiro momento em que o comediante se manifesta sobre questões políticas.
“Lula desonesto e Bolsonaro tolo”
Em 2020, Fábio Porchat gerou grande repercussão nas redes sociais ao criticar tanto Lula quanto Jair Bolsonaro durante uma entrevista. Naquele período, Lula era um ex-presidente e Bolsonaro estava no exercício da Presidência. Ao ser questionado sobre sua perspectiva política, o humorista tentou fazer uma comparação entre os dois. “O Lula tem seus pontos positivos, mas considero que ele é desonesto, que roubou, e que o PT criou uma verdadeira máquina. Temos petróleo, mensalão e tudo o que isso trouxe”, comentou. “Desprezo o Bolsonaro. Vejo-o como a pessoa mais despreparada do país. Sua presença é prejudicial às instituições. O único aspecto positivo de sua vitória foi evitar a continuidade do PT.”
Essas declarações geraram reações de críticos tanto da esquerda quanto da direita, e Porchat respondeu com ironia: “Não posso considerar o Bolsonaro um tolo e o Lula desonesto ao mesmo tempo?”.
“Não me enxergo como político”
Ainda em 2020, Porchat participou do programa “Cá entre Nós”, do UOL, onde discutiu política, racismo e futebol. Durante a conversa, ele enfatizou a importância de o público se informar para entender e debater as ações dos governantes. “Hoje, se não falarmos sobre política, não estamos vivendo no mundo real. E quando menciono ‘política’, não me refiro apenas a Lula e Bolsonaro, mas a tudo que envolve o tema”, afirmou Fábio Porchat.
Apesar de ter um histórico político na família — seu pai, também chamado Fábio Porchat, foi deputado estadual em São Paulo nos anos 70 —, o humorista não se vê seguindo esse caminho. “Não me imagino como um político disputando uma eleição. Também não vou afirmar que ‘nunca serei’, pois se um dia eu me candidatar em 2037, vão usar esse vídeo contra mim.”
Processo movido pela família Bolsonaro
Em 2021, Porchat enfrentou um processo judicial movido pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o comediante postou nas redes sociais que os filhos de Bolsonaro seriam “corruptos”. “Vocês criticam as ações do presidente, mas pensem: se você fosse um miliciano, corrupto, isolado no poder, tentando aparelhar o Estado para proteger seus filhos corruptos, sem apoio da população negacionista, você não faria o mesmo? #Empatia”, escreveu Porchat.
Os advogados de Carlos Bolsonaro alegaram que a publicação ofendia a honra do vereador e pediram uma indenização de R$ 48.480, além de uma retratação pública e a remoção das postagens. Porchat defendeu-se na Justiça com base em fatos públicos sobre a família Bolsonaro, mas acabou condenado a pagar R$ 15 mil por danos morais ao filho do ex-presidente.
Porchat também se manifestou sobre o ex-governador João Doria. Em participação no podcast “Cara a Tapa” em 2022, ele afirmou que não há comparação entre Doria e Bolsonaro: “O Doria é um ser humano, o Bolsonaro não é. Ele disse que consegue viver sem oxigênio, então para mim ele é um alienígena!”, brincou Porchat, referindo-se a uma declaração do ex-presidente.
Em 2022, Porchat declarou seu voto em Ciro Gomes (PDT): “Eu já disse anteriormente que votarei no Ciro Gomes. Aprecio muito o Ciro, considero-o um ótimo candidato, muito preparado. Precisamos parar com essa polarização.”
O que ocorreu recentemente
Porchat gravou uma esquete sobre um comercial das Havaianas estrelado por Fernanda Torres. Na propaganda, Fernanda menciona que “não deseja que as pessoas comecem o próximo ano apenas com o pé direito” — mas sim com os dois pés. O comercial gerou reações de políticos, como Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), que publicaram vídeos jogando pares de sandálias no lixo.
No vídeo, Porchat tenta gerenciar a crise gerada pelo comercial, dizendo a Fernanda Torres que “cancelou o contato com a Havaianas e iniciou um novo com a Havan”. Essa empresa pertence a Luciano Hang, um conhecido apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Fernandinha, sua doida, eles acham que são a Enel, querem acabar com a sua luz”, diz Mauro César, um dos personagens de Porchat na esquete.
O vídeo gravado por Porchat na embaixada do Brasil em Roma gerou controvérsias. O deputado Rogério Marinho (PL-RN) pediu explicações sobre o uso do espaço diplomático brasileiro para humor político: “Quando a estrutura diplomática se torna cenário para comédia, o problema não é a opinião, mas o uso indevido do Estado. Instalações governamentais não servem para militância, nem para proteger aliados. Vamos solicitar à Chancelaria brasileira um esclarecimento formal e uma apuração de responsabilidades”, postou ele nas redes sociais.
O embaixador do Brasil em Roma foi contatado e afirmou que o vídeo foi feito “sem seu conhecimento ou autorização”. O Ministério das Relações Exteriores informou que Porchat é um convidado pessoal de Renato Mosca para a celebração de Natal, e que sua estadia não gerou custos para o governo, uma vez que despesas de convidados pessoais do embaixador são arcadas pelo próprio diplomata. O Ministério também foi questionado sobre a necessidade de autorização para gravações nas dependências da embaixada, mas não respondeu a essa questão.
A assessoria de Fábio Porchat e do Porta dos Fundos foi procurada, e a expectativa é por um retorno. O espaço permanece aberto para novas atualizações.