Em 2025, o Brasil recebeu um número inédito de deportações provenientes dos Estados Unidos. Lucas, que residia ilegalmente no país norte-americano por sete anos, foi enviado de volta ao Brasil após passar três meses detido. “Estou muito emocionado e feliz por estar aqui. Esperei muito por este momento”, declarou Lucas Miranda Santos, que é vendedor.
No mesmo voo que trouxe Lucas, outras 80 pessoas foram deportadas. A aeronave, que chegou recentemente ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, foi a 34ª desse tipo a pousar no Brasil em 2025, transportando deportados. Desde o início do ano, o governo dos EUA já repatriou 3.170 brasileiros que estavam no país de maneira irregular. Esse número representa a maior taxa de deportações desde 2020, quando começaram os voos fretados para esse fim, e um aumento superior a 90% em comparação com 2024.
O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania implementou um programa para acolher e direcionar os deportados para suas cidades de origem desde o começo do ano. “Mudamos a percepção que tínhamos sobre esses brasileiros que retornam dos Estados Unidos, assim como sobre a população que migra. Estamos conhecendo melhor essas pessoas e compreendendo o valor que trazem após anos fora”, comentou Ana Maria Gomes Raietparvar, coordenadora-Geral de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas.
De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, o voo que chegou às vésperas do Natal foi o penúltimo deste ano com deportados. A política de restrição à imigração tem sido uma das prioridades dos Estados Unidos desde a posse do presidente Donald Trump, em 20 de janeiro. A professora de Relações Internacionais, Carolina Moulin, prevê um aumento ainda maior nas deportações. “A previsão é de que o orçamento para essas agências cresça exponencialmente até 2029, totalizando quase 200 milhões de dólares apenas para essa política. Estamos apenas no início de um processo acelerado de deportações, especialmente entre cidadãos latino-americanos em situação irregular nos EUA”, afirmou.
Aridelson, que passou quase dois meses preso antes de ser deportado, declarou: “Quero atuar na minha área e seguir minha vida aqui com tranquilidade, não pretendo sair mais daqui”.