No dia 10 de dezembro, a operação intitulada Veredicto Sombrio foi lançada, resultando na prisão de nove indivíduos suspeitos de invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Destes, quatro conseguiram escapar do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte, apenas dez dias após a operação. As investigações também expuseram movimentações financeiras significativas dos suspeitos.
Durante a execução de 27 mandados judiciais, que incluíram prisões e apreensões, em Belo Horizonte, Sete Lagoas e Jacutinga, a polícia confiscou veículos luxuosos, joias, computadores e celulares. Além disso, bloqueou R$ 40 milhões e 180 mil dólares em criptomoedas pertencentes ao grupo sob investigação. Entre os automóveis recuperados estavam marcas renomadas como Porsche e Land Rover.
O grupo se envolvia em fraudes, como o bloqueio e desbloqueio de veículos e valores que estavam sob a custódia do Estado, assim como a manipulação de mandados de prisão e alvarás de soltura. De acordo com o delegado Álvaro Huertas, chefe do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), os suspeitos são hackers com perfis semelhantes, sendo jovens adultos de classes média alta ou baixa, com acesso a sistemas de informação e sem histórico de crimes violentos.
A primeira fase da operação concentrou esforços na identificação dos principais membros da organização criminosa. O próximo passo será investigar aqueles que contrataram os serviços dos hackers e tentaram se beneficiar das fraudes judiciais.
Na terça-feira (23), a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) anunciou que iniciaria procedimentos internos para investigar a fuga de quatro detentos do Ceresp Gameleira, em Belo Horizonte. Os fugitivos foram identificados como:
– Ricardo Lopes de Araújo
– Wanderson Henrique Lucena Salomão
– Nikolas Henrique de Paiva Silva
Segundo a Sejusp, os detentos foram liberados do Ceresp Gameleira no último sábado (20) após apresentarem um habeas corpus no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). Ricardo Lopes de Araújo, conhecido como Dom, foi um dos nove indivíduos detidos pela Polícia Civil (PCMG) em 10 de dezembro durante a operação Veredicto Sombrio e é considerado o líder de um esquema que realiza fraudes relacionadas ao bloqueio e desbloqueio de veículos, além da manipulação de mandados de prisão e alvarás de soltura.
A Sejusp informou que uma investigação interna está em andamento e medidas administrativas e criminais estão sendo tomadas para apurar a situação. As forças de segurança estão colaborando para investigar os fatos e trabalhar na recaptura dos fugitivos.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) emitiu mandados de prisão contra os quatro fugitivos, que agora são considerados foragidos. O TJMG também confirmou a recaptura de Júnio Cezar Souza Silva na noite de segunda-feira.
Em uma declaração, o TJMG assegurou que “todas as ordens fraudulentas foram identificadas e canceladas em menos de 24 horas após a emissão” e que “providências foram tomadas para restaurar os mandados prisionais”. A Sejusp orienta que qualquer cidadão que tenha informações sobre os foragidos denuncie pelo número 181, do Disque Denúncia, com garantia de anonimato e ligação gratuita.