Nos últimos meses, executivos do setor financeiro e representantes empresariais começaram a receber informações provenientes de autoridades e políticos de Brasília sobre uma possível influência do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, no Banco Central. De acordo com essas informações, Moraes teria tentado interceder junto ao presidente da instituição monetária, Gabriel Galípolo, para que medidas favoráveis ao Banco Master fossem implementadas.
Na terça-feira (23), tanto o ministro quanto o Banco Central emitiram comunicados oficiais negando qualquer forma de pressão ou interferência. Quando os rumores começaram a se espalhar, o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, já enfrentava resistência significativa de certos segmentos do empresariado, o que facilitou a rápida disseminação das suspeitas. A mera sugestão de que um ministro do STF estivesse ligado a questões da instituição financeira gerou inquietação entre os agentes do mercado.
O que inicialmente parecia restrito a um pequeno grupo logo se expandiu. As versões começaram a circular por diversas instituições financeiras, chegaram a escritórios de advocacia, consultorias especializadas e, eventualmente, foram parar na mídia através de várias fontes independentes.
Em Brasília, as especulações também ganharam força. Relatos indicavam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria ciente das supostas movimentações. Embora os detalhes variavam conforme a fonte, um aspecto era comum: o suposto interesse direto de Alexandre de Moraes em assuntos ligados ao Banco Master.
Naquele período, Gabriel Galípolo nunca confirmou publicamente essas alegações. Pelo contrário, negou de forma categórica, em conversas privadas, ter sofrido qualquer tipo de pressão. Ele afirmou que os diálogos mantidos com o ministro do STF se restringiram à discussão da Lei Magnitsky, após Moraes ter sido sancionado pelos Estados Unidos. Segundo essas fontes, o magistrado buscava entender como a sanção poderia impactar sua situação financeira.
As informações sobre a suposta atuação de Moraes junto ao Banco Central foram reveladas esta semana pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo a jornalista, seis fontes diferentes mencionaram conversas entre o ministro e o presidente do BC, que teriam alimentado as suspeitas.
Conforme relatos que circulavam nos bastidores, Moraes teria desistido de qualquer ação após ser informado de que irregularidades relativas a repasses do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) totalizavam R$ 12,2 bilhões.
Como desdobramento da situação, Daniel Vorcaro e outros executivos do Banco Master foram detidos no dia 18 de novembro. Pouco tempo depois, o Banco Central decidiu pela liquidação da instituição. Vorcaro foi liberado alguns dias depois e atualmente cumpre medidas cautelares, incluindo a utilização de tornozeleira eletrônica. (Com informações da Folha de S.Paulo)