O IPCA-15, que serve como um indicador preliminar da inflação oficial, apresentou um aumento de 0,25% em dezembro, valor ligeiramente abaixo do esperado, e em comparação à elevação de 0,20% no mês anterior, conforme divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (23).
Com esse desempenho, a variação acumulada da prévia da inflação nos últimos 12 meses encerrou 2023 em 4,41%, abaixo do limite superior da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3% com uma margem de tolerância de até 4,5%. Para 2024, o acumulado ficou em 4,71%, com um aumento de 0,34% apenas em dezembro.
A pesquisa realizada pela Reuters previa um crescimento de 0,27% para o mês e uma variação de 4,43% em 12 meses. De acordo com o IBGE, sete dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA-15 apresentaram alta em dezembro. O grupo de Transportes foi responsável pela maior variação, registrando 0,69% e um impacto positivo de 0,14 pontos percentuais (p.p.).
Em 2025, o grupo que mais influenciou o IPCA-15 foi Habitação, decorrente do aumento da tarifa de energia elétrica residencial, que acumulou 11,95%. Além disso, os grupos de Vestuário (0,69% e 0,03 p.p.) e Despesas Pessoais (0,46% e 0,05 p.p.) também contribuíram para o aumento da prévia da inflação. Por outro lado, o grupo Artigos de Residência teve um impacto negativo de -0,02 p.p. com uma queda de 0,64%.
Os outros grupos oscilaram entre uma ligeira queda de 0,01 em Saúde e Cuidados Pessoais e um avanço de 0,17 em Habitação. No início deste mês, o Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva, uma decisão esperada pelo mercado. Segundo o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, essa manutenção é “adequada para garantir a convergência da inflação em direção à meta”.
Adicionalmente, a instituição reduziu a probabilidade de que a inflação de 2025 ultrapasse o teto da meta (4,5%) de 71% para 26%. Para 2026, a expectativa é que a inflação se mantenha em 3,5%. O IBGE destacou que, dentro do grupo Transportes (0,69%), a maior contribuição individual para o índice do mês veio das passagens aéreas, que subiram 12,71% (0,09 p.p.), enquanto o transporte por aplicativo teve um aumento de 9% (0,02 p.p.).
Os preços dos combustíveis aumentaram 0,26%, com elevações de 1,70% no etanol e de 0,11% na gasolina, enquanto o gás veicular e o óleo diesel apresentaram quedas de 0,26% e 0,38%, respectivamente. A variação de -0,69% nas passagens de ônibus urbano reflete as gratuidades concedidas aos domingos e feriados em cidades como Belém (-5,93%) e Brasília (-7,43%), além da redução tarifária em Curitiba (-3,41%).
No metrô (-0,62%), a mesma tendência foi observada em Brasília (-7,43%) e São Paulo, onde a queda foi de 0,20%. O grupo Vestuário teve um aumento de 0,69%, impulsionado por roupas infantis (1,05%), femininas (0,98%) e masculinas (0,70%). No entanto, o grupo Despesas Pessoais desacelerou em comparação com novembro, com a hospedagem caindo 1,18% em dezembro.
Por outro lado, serviços como cabeleireiro e barbeiro (1,25%), empregados domésticos (0,48%) e pacotes turísticos (2,47%) apresentaram altas na prévia da inflação. O grupo de Alimentação e Bebidas, que exerce maior peso no índice, variou 0,13%, com a alimentação em casa (-0,08%) apresentando queda pelo sétimo mês consecutivo. Os recuos de preços de itens como tomate (-14,53%), leite longa vida (-5,37%) e arroz (-2,37%) contribuíram para esse resultado.
Entre os produtos que subiram, as carnes (1,54%) e as frutas (1,46%) se destacaram, conforme apontado pelo IBGE. A alimentação fora de casa registrou uma variação de 0,65% em dezembro, com aumentos no lanche (0,99%) e na refeição (0,62%). A queda de 0,64% nos Artigos de Residência foi impulsionada pelos recuos em eletrodomésticos e equipamentos (-1,41%) e em produtos de TV, som e informática (-0,93%).
*Com informações da Reuters.*