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Administração Trump publica nova leva de documentos sobre o caso Epstein

1 de 4 Fotos mostram Epstein ao lado de Michael Jackson e jantar com Bill Clinton e Mick Jagger — Foto: Departamento de Justiça dos EUA

Entre segunda e terça-feira (23), a administração Trump liberou uma nova coleção com milhares de documentos relacionados ao caso Epstein. O bilionário, que tinha relações próximas com diversas figuras políticas e celebridades, foi condenado por abusos a menores e por gerenciar uma rede de exploração sexual.

Mais de 30 mil arquivos adicionais sobre as investigações contra Epstein foram disponibilizados no site do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de acordo com informações do governo Trump. Os novos documentos incluem uma variedade de fotos, gravações de áudio, registros judiciais, arquivos do FBI e centenas de vídeos, incluindo imagens de vigilância de agosto de 2019, quando Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela.

Esses arquivos foram divulgados poucos dias após a primeira remessa, que ocorreu na sexta-feira (19) e trouxe à tona fotos de celebridades, referências ao Brasil e várias páginas com informações censuradas. O g1 está atualmente analisando os novos documentos liberados pelo Departamento de Justiça e promete atualizar a matéria à medida que novas informações forem reveladas.

O prazo para a divulgação completa dos documentos relacionados ao caso Epstein se encerrou na última sexta-feira. Nos últimos dias, o Departamento de Justiça americano enfrentou críticas por parte da oposição democrata, que questionou a lentidão na liberação das informações e a censura de certos documentos.

Em novembro, o Congresso dos EUA aprovou uma lei que exige que o governo torne públicas as informações sobre a investigação, a qual foi sancionada pelo presidente Donald Trump. Agora, mais de 300 mil páginas já foram divulgadas.

Os documentos mais recentes trazem imagens de Epstein ao lado de diversas celebridades, como Michael Jackson, Mick Jagger e o ex-presidente Bill Clinton, embora o contexto dessas fotos não esteja claro. O g1 também encontrou duas referências ao Brasil, incluindo um recado que Epstein recebeu em janeiro de 2005, solicitando que ele ligasse para uma mulher, com o assunto mencionado como “Brasil”. O nome da pessoa que fez o pedido está censurado.

Em outro documento, há uma anotação manuscrita indicando que uma mulher foi fotografada sem seu conhecimento; essa pessoa, cujo nome também foi censurado, viajou ao Brasil aos 18 anos e retornou aos Estados Unidos dois anos depois.

O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou à Fox News que o governo planeja divulgar centenas de milhares de documentos adicionais, embora não todos os arquivos relacionados a Epstein. Ele previu que, nas próximas semanas, mais documentos seriam liberados, totalizando algumas centenas de milhares.

O Departamento de Justiça já havia afirmado que não tornaria todos os arquivos disponíveis na íntegra, pois parte do conteúdo poderia incluir investigações ordenadas por Trump sobre figuras democratas ligadas a Epstein. Além disso, a identidade de todas as vítimas de tráfico sexual mencionadas nos documentos será preservada.

Epstein foi acusado de abusar de mais de 250 meninas menores de idade, e o caso voltou a ganhar notoriedade este ano devido às declarações contraditórias de Donald Trump sobre a liberação dos arquivos. Em novembro, o Congresso dos EUA divulgou e-mails que sugerem que Trump tinha conhecimento da conduta de Epstein. Em um e-mail de 2018, Epstein mencionou que o então presidente “passou horas” em sua casa com uma das vítimas. Trump e Epstein tiveram um relacionamento de amizade que se estendeu da década de 1990 até o início dos anos 2000. Epstein foi preso em julho de 2019 e, segundo as autoridades, cometeu suicídio um mês depois em sua cela.

Nas últimas semanas, Trump, durante sua campanha para 2024, prometeu divulgar arquivos secretos relacionados ao caso, questionando, em entrevistas, por que a lista de clientes de Epstein nunca foi revelada. Em fevereiro, o governo liberou uma série de documentos sobre o tema, enquanto a procuradora-geral de Trump, Pam Bondi, disse que uma lista de clientes estava “em sua mesa para revisão”. No entanto, o Departamento de Justiça posteriormente declarou não ter encontrado evidências dessa lista, o que gerou descontentamento entre os apoiadores de Trump.

A pressão política em torno do assunto aumentou, tanto da oposição quanto de membros do próprio partido do presidente, que demandam a liberação de todos os documentos. Apesar das tentativas da Casa Branca e de líderes republicanos de bloquear a proposta, esta conseguiu reunir o número mínimo de assinaturas necessárias para ser discutida na Câmara.

No dia 12 de novembro, o Congresso dos EUA divulgou mais de 20 mil páginas de documentos sobre a investigação de Jeffrey Epstein, incluindo e-mails trocados entre o bilionário e pessoas próximas. Em uma dessas mensagens, Epstein afirmou que Trump “sabia sobre as garotas”, mencionando o nome de uma vítima que foi censurado, além de fazer referência a Mar-a-Lago, o resort de Trump na Flórida.

Em outro e-mail de 2011, Epstein se dirigiu a Ghislaine Maxwell, sua parceira, mencionando que “o cachorro que não latiu é Trump” e que uma das vítimas “passou horas na minha casa com ele… e ele nunca foi mencionado”. Esses e-mails levantaram novas questões sobre a relação entre Trump e Epstein, levando a uma maior especulação sobre o envolvimento do presidente, que, por sua vez, classificou a polêmica como uma “armadilha” da oposição. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os arquivos demonstram que o presidente “não cometeu nada de errado”.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade