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Confronto do Cruzeiro na Sul-Americana: Palestino entre futebol, identidade cultural e ativismo político

SANTIAGO, CHILE. O Cruzeiro se prepara para enfrentar o Palestino nesta quinta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Municipal Francisco Sánchez Rumoroso, em Coquimbo, Chile, pela terceira rodada do Grupo E da Conmebol Sul-Americana. O clube chileno é um símbolo de forte identidade cultural, com seu lema “Más que un equipo, todo un pueblo” (Mais do que um time, todo um povo) expressando a profunda conexão do Club Deportivo Palestino com a causa palestina, além de refletir a paixão de uma torcida engajada tanto no futebol quanto em questões políticas.

Fundado em 1920 por imigrantes que buscavam uma nova vida no Chile, o Palestino é conhecido por seu apoio contínuo à criação de um Estado palestino no Oriente Médio e à defesa dos direitos dos habitantes da Cisjordânia e de Gaza. O clube se tornou um importante elo entre a Palestina e o Chile, que abriga a maior comunidade palestina fora do mundo árabe.

Conforme explica Ricardo Marzuca, membro do Centro de Estudos Árabes da Universidad de Chile, os primeiros palestinos chegaram ao país no final do século 19, durante a decadência do Império Turco-Otomano e a crise econômica que o acompanhava. Esse movimento migratório ocorreu no contexto de uma maior migração de sírios e libaneses para as Américas.

Até o fim da Segunda Guerra Mundial, o Chile recebeu entre 8 mil e 10 mil árabes, a maioria sendo palestinos cristãos ortodoxos que encontraram no país um ambiente semelhante ao de sua terra natal. A migração palestina continuou nas décadas seguintes, especialmente após a criação do Estado de Israel em 1948.

“A história do Palestino desmistifica a ideia de que a Palestina nunca existiu. Como poderia haver um time de futebol no Chile, fundado por migrantes palestinos, mais de 20 anos antes do surgimento de Israel?”, questiona Nicolás Abusada, um dos diretores do clube. “Hoje, a influência que o time exerce no mundo é imensa e contribui para a causa palestina.”

O Palestino já conquistou dois títulos na primeira divisão do Campeonato Chileno, dois na segunda e três na Copa Chile. Em competições continentais, participou da Copa Libertadores da América sete vezes e da Sul-Americana em outras sete ocasiões, com sua melhor performance em 2016, quando foi eliminado nas quartas de final pelo San Lorenzo, da Argentina.

Na Sul-Americana de 2025, o Palestino integra o Grupo E junto com o Cruzeiro, o Mushuc Runa, do Equador, e o Unión Santa Fe, da Argentina. Até o momento, após duas rodadas, ocupa a segunda posição, com uma vitória e uma derrota. O confronto com o time mineiro ocorrerá nesta quinta-feira (24), com o Palestino atuando como mandante. A partida será realizada em Coquimbo, devido à falta de estrutura adequada no estádio do clube.

Inaugurado em 1988, o estádio do Palestino está situado em La Cisterna, uma área afastada do centro de Santiago, com capacidade para 12 mil espectadores. Em dias de jogo, os torcedores vestem seu kuffiye – o tradicional lenço palestino – e entoam cânticos, agitando bandeiras da Palestina. Para matar a fome, opções como falafel e shawarma estão disponíveis.

Carlos Medina, de 49 anos, é um frequentador assíduo do estádio e destaca: “Gosto do ambiente familiar e tranquilo que lá se encontra.” Bisneto de um palestino nascido em Beit Jala, o engenheiro de informática acompanha o futebol desde a infância, mesmo sem ter sido incentivado por seus pais. Foi somente quando mais velho que começou a frequentar o estádio de La Cisterna para assistir aos jogos do seu time.

Atualmente, Medina é o responsável pelo site Palestino Histórico, que reúne informações e narrativas sobre o clube. “A ideia surgiu após o documentário ‘Cuatro Colores’, que aborda a trajetória do time. Ao final do processo, percebi que muitas informações importantes poderiam ficar de fora. Decidi, então, organizá-las em um site para contá-las de maneira adequada, já que até então ninguém havia feito isso”, recorda.

Uma das seções do site é dedicada aos jogadores mais emblemáticos que passaram pela equipe. Entre eles, destaca-se Roberto Coli, que fez parte do time que conquistou o primeiro título nacional do Palestino em 1955. Oscar Fabbiani, ídolo de Medina, é lembrado como um dos grandes jogadores da história do clube, tendo conquistado um Campeonato Chileno e duas Copas Chile entre 1975 e 1978.

Outro nome que deixou sua marca foi Elías Figueroa. Após se tornar uma lenda no Internacional, no Brasil, nos anos 70, o chileno foi contratado pelo Palestino, onde atuou de 1977 a 1980. Nos anos 90, ele retornou ao clube como técnico, saindo em 1996 para treinar o Inter novamente.

O Palestino tem sido um participante constante em torneios continentais. Sua presença frequente e as causas que defende têm contribuído para um crescimento significativo de sua torcida, que hoje se estende até o Oriente Médio, onde os jogos são transmitidos pela Al Jazeera. Uma paixão que transcende fronteiras e fortalece um laço histórico.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade