O homicídio de três profissionais de instalação de internet em Salvador, ocorrido na última terça-feira, 16, foi autorizado por uma facção criminosa que atua na área de Marechal Rondon, conforme relatado pela Polícia Civil ao Estadão.
O delegado Marcelo Calmon, que é o diretor-adjunto do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informou ao Estadão que os técnicos chegaram ao bairro por volta das 8h40 do dia 16 e foram abordados cerca de duas horas depois por membros da facção local, que começaram a questionar a presença deles na região.
De acordo com Calmon, os profissionais apresentaram uma ordem de serviço e folhetos da empresa para provar que estavam apenas realizando a instalação de cabos de internet, sem qualquer ligação com sistemas de monitoramento. Mesmo com essa explicação, os criminosos interromperam o trabalho e passaram a vigiar os movimentos dos técnicos.
Ao meio-dia, os profissionais saíram para almoçar e, ao retornarem por volta das 14h para finalizar a instalação, foram novamente abordados. Desta vez, foram levados por integrantes da facção a um bairro próximo, onde, segundo a polícia, foram assassinados.
O delegado afirmou que, desde a primeira abordagem, os suspeitos filmaram os técnicos e a instalação em curso, enviando os vídeos, via WhatsApp, a líderes do tráfico como uma justificativa para a presença do grupo na área. De acordo com Calmon, os três trabalhadores foram submetidos ao chamado “tribunal do crime”, e a decisão de executá-los foi tomada pelas lideranças da facção, que autorizaram o assassinato por videoconferência.
“Não há evidências de que esses três técnicos estivessem instalando câmeras de vigilância”, destacou o delegado, acrescentando que os mandantes, embora não estivessem fisicamente presentes no local, monitoraram toda a ação à distância e deram a autorização para o crime.
As vítimas foram amarradas com fios da instalação e levadas no veículo de um deles até um bairro dominado por uma facção rival — uma estratégia, segundo a polícia, para dificultar as investigações. Os três foram mortos a tiros.
No domingo, a Polícia Civil, através do DHPP, lançou a Operação Signum Fractum contra os suspeitos de assassinar os três técnicos. O delegado revelou que foram emitidos sete mandados de prisão, abrangendo tanto os executores quanto outros envolvidos no crime.