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AVC em mulheres: como reconhecer os primeiros sinais e agir rapidamente

Shutterstock/Andrey_Popov.

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, frequentemente se manifesta de forma discreta. Esta condição pode estar ligada a problemas cognitivos e à perda de memória. De acordo com o neurologista Saulo Teixeira, as mulheres frequentemente apresentam sintomas que se assemelham a enxaquecas e alterações de humor.

Considerado uma das principais causas de morte e invalidez no Brasil, o neurocirurgião Luiz Bevilaqua ressalta a importância de reconhecer os sinais precoces e iniciar o tratamento o quanto antes. Essa abordagem pode prevenir sequelas e promover uma recuperação mais eficaz.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, Luiz Bevilaqua explicou que o AVC ocorre quando o cérebro não recebe sangue suficiente. “Sem oxigênio e nutrientes, as células cerebrais podem começar a morrer em questão de minutos”, afirmou ele.

Os principais tipos de AVC incluem o que é conhecido como Ataque Isquêmico Transitório (AIT), que apresenta sintomas semelhantes aos do AVC, mas que duram apenas alguns minutos ou horas, desaparecendo completamente em menos de 24 horas. Luiz também adverte que o AIT serve como um aviso, pois o risco de um AVC definitivo aumenta nos dias seguintes.

Alguns AVCs podem ocorrer de forma “silenciosa”, sem sintomas evidentes, sendo detectados apenas por meio de exames de imagem, como ressonâncias magnéticas. Embora não causem sintomas alarmantes, esses AVCs não devem ser subestimados, pois podem ter consequências ao longo do tempo. “O cérebro paga o preço, mesmo na ausência de dor ou sinais claros”, disse.

Na maioria das situações, o corpo envia alguns sinais de alerta sobre um AVC. Mesmo que esses sinais sejam temporários, é crucial não ignorá-los. Alguns dos sinais incluem:

Adotar um estilo de vida saudável pode ajudar a reduzir o risco de AVC. Hábitos prejudiciais, como o consumo excessivo de álcool e tabaco, podem aumentar as chances de um derrame. Fatores de risco conhecidos incluem:

“A boa notícia é que muitos desses fatores podem ser controlados, mas a má notícia é que muitas pessoas só percebem isso após o evento”, explicou o especialista.

É importante entrar em contato com serviços de emergência ao apresentar sintomas.

Luiz Bevilaqua observa que as mulheres podem manifestar sintomas menos típicos, dificultando o diagnóstico e o tratamento. “Na maioria das vezes, o AVC resulta de anos de descaso silencioso. Como diz a boa medicina: prevenir é sempre melhor do que tratar”, enfatizou.

Ao discutir os sinais de AVC em mulheres, Saulo Teixeira apontou que certas condições neurológicas podem ser desconsideradas por fatores culturais ou epidemiológicos. Por exemplo, as mulheres têm uma maior incidência de enxaquecas, que podem apresentar uma variedade de sintomas, levando a confusões diagnósticas entre um AVC e uma crise de enxaqueca.

Saulo também relatou casos em que mulheres com trombose venosa cerebral foram equivocadamente diagnosticadas com distúrbios psiquiátricos. Por isso, ele ressalta que qualquer sintoma neurológico que apareça de forma repentina pode indicar um AVC.

Os sintomas clássicos incluem paralisia facial, dificuldades de fala ou compreensão e perda súbita de visão. É essencial que os médicos estejam atentos a outras condições mais comuns entre mulheres.

Para facilitar a identificação e educar a população sobre os sinais de alerta, métodos práticos como o “Método BE-FAST” foram criados. Em países de língua inglesa, as iniciais “BE-FAST” formam um trocadilho com a frase “seja rápido”. No Brasil, as campanhas utilizam o termo SAMU, que orienta a sorrir, abraçar, cantar uma música e, se houver algum déficit súbito, ligar para o serviço de emergência. Tudo isso visa garantir que os casos de AVC sejam encaminhados rapidamente para centros especializados.

Após identificar os primeiros sinais, é vital contatar um serviço médico de emergência, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ou ir a uma unidade de emergência hospitalar. No caso de AVC isquêmico, Saulo Teixeira considera tanto os pacientes que nunca tiveram um AVC quanto aqueles que já passaram pelo evento, lembrando que o tratamento deve ser personalizado, pois não existe um “remédio preventivo universal”, e os neurologistas avaliam os sintomas de cada paciente individualmente.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade