Na última segunda-feira (22), o plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre votou pela cassação do mandato do vereador Gilvani, apelidado de Gringo, do partido Republicanos. A decisão contou com 26 votos a favor, três contra e quatro abstenções, superando a exigência de 24 apoios entre os 35 vereadores para a aprovação do parecer.
A cassação foi motivada por declarações feitas pelo vereador durante a CPI do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) em setembro, quando, ao ser convocado como testemunha, ele confessou ter realizado pagamentos de propina à autarquia no passado. Com essa decisão, Gringo se torna inelegível por um período de oito anos. O primeiro suplente do Republicanos, Professor Tovi, que atualmente ocupa a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, está apto a assumir a vaga deixada pelo ex-parlamentar.
Um dos principais fatores que pesaram contra Gringo foi um contrato ativo entre a empresa Safety Ambiental e o Dmae. Na última quarta-feira (17), a Comissão de Ética da Câmara já havia aprovado um parecer da vereadora Karen Santos (PSOL) que recomendava a perda do mandato. O documento destacou que “Gilvani controla, efetivamente, empresas de seu irmão Gilmar e de sua filha, Daniela, sendo uma delas a Safety, que mantém um contrato administrativo com o Dmae, configurando ilegalidade por parte do vereador”.
Além disso, o parecer da vereadora também acusou Gringo de violar o decoro parlamentar ao admitir o pagamento de propina a agentes públicos em 2015. A análise se baseou em uma denúncia feita à Comissão de Ética por Marcelo Marsillac Matias, em outubro deste ano. O relatório concluiu que, mesmo sendo um fato ocorrido antes de seu mandato, isso demonstra “ausência de autonomia e neutralidade” para fiscalizar as ações do poder público, uma das funções primordiais de um vereador.
Durante a sessão, o advogado de Gringo, Marcelo Fontella, defendeu que seu cliente “não mantém contrato com a Prefeitura”. Ele argumentou que a suposição de um vínculo econômico envolvendo a família Dall Oglio é meramente uma “presunção”, e que o processo trabalhista que sugere relações entre Gringo e a empresa Safety ainda não foi julgado. Fontella também contestou a acusação de corrupção, ressaltando que os fatos relatados ocorreram em 2015, e argumentou que a denúncia deveria ter sido apresentada apenas pela Mesa Diretora ou por um partido político com representação na Câmara.